A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) está a implementar um projeto ambicioso com o objetivo de capacitar São Tomé e Príncipe e Cabo Verde para proteger aves e habitats.
Este projecto, denominado ‘#IlhasMais’, é realizado em parceria com a associação cabo-verdiana Biosfera e financiado pelo Instituto Camões, I.P., com um montante de 990 mil euros, conforme explicou Alexandra Lopes, coordenadora do departamento de cidadania e educação ambiental da SPEA e do projecto, à agência Lusa.
“O objectivo geral deste projecto é capacitar as organizações da sociedade civil de São Tomé e Príncipe e de Cabo Verde, tanto a nível de capacidades técnicas como organizativas, para que possam desenvolver ações que promovam a conservação dos habitats e das aves, através de iniciativas de modernização e valorização da biodiversidade e dos recursos naturais”, esclareceu Alexandra Lopes.
A iniciativa baseia-se na experiência acumulada pela SPEA em Cabo Verde desde 2009, em colaboração com a Associação Biosfera e a Birdlife International. “Temos vindo a trabalhar com eles em vários projetos, nomeadamente na conservação e restauro de habitats insulares, gestão de áreas protegidas e capacitação”, disse Lopes.
Identificadas as necessidades ao longo destes 15 anos de colaboração, a SPEA aproveitou a oportunidade de participar num concurso do Instituto Camões focado na capacitação de entidades em meio insular e relacionadas com o meio ambiente. “Assim surgiu a ideia de desenvolver um projeto em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, com ações semelhantes às aplicadas em Cabo Verde, mas ajustadas à realidade de cada país”, acrescentou.
O projecto começou em Cabo Verde em Fevereiro de 2024 e terá início em São Tomé e Príncipe no final do ano, estendendo-se até 2026. “Queremos que, nestes três anos, as instituições adquiram conhecimento suficiente para desenvolverem as ações de forma autónoma”, afirmou Lopes.
O projecto ‘#IlhasMais’ tem três grandes eixos de actuação. O primeiro é fortalecer ou criar plataformas de colaboração entre organizações não-governamentais locais e outras entidades da sociedade civil, para estabelecer redes de parceria que potencializem o trabalho conjunto na área do ambiente e da conservação da natureza.
O segundo eixo é a capacitação técnica, onde a SPEA propõe transmitir informações úteis e relevantes, mas enfatiza a importância de serem as entidades locais a identificar as suas necessidades específicas. “Estas necessidades devem alinhar-se com os objectivos do projecto, que incluem capacitação, comunicação dos valores naturais à população e monitorização de espécies”, destacou Alexandra Lopes.
O terceiro eixo visa promover e incentivar a valorização económica das áreas protegidas e da biodiversidade, através dos serviços de ecossistemas, especialmente relacionados com a componente marinha e o turismo sustentável.
“O projeto ainda está no início, mas acreditamos que tem um grande potencial e será muito interessante para todas as partes envolvidas, inclusive para a SPEA, que também aprenderá muito com estas entidades”, concluiu Lopes.
Atualmente, a SPEA está a trabalhar no atlas das Aves Nidificantes em Cabo Verde, tendo dado formação à Biosfera para liderar um grupo de voluntários que realizarão ações de monitorização em todas as ilhas.





