Aumento do nível do mar ameaça infra-estruturas e economia de Cabo Verde

O aumento do nível do mar ameaça as infra-estruturas costeira e a própria base da economia cabo-verdiana, impulsionada pelo turismo, avançou o presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde, Miguel Monteiro. O responsável, que falava durante o Fórum Económico de Berlim, disse que a escassez de água grave, intensificada por secas prolongadas, coloca em…
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Presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde, Miguel Monteiro, que falava durante o Fórum Económico de Berlim, diz que a escassez de água grave, intensificada por secas prolongadas, coloca em perigo a agricultura e a disponibilidade de água potável.
Economia

O aumento do nível do mar ameaça as infra-estruturas costeira e a própria base da economia cabo-verdiana, impulsionada pelo turismo, avançou o presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde, Miguel Monteiro.

O responsável, que falava durante o Fórum Económico de Berlim, disse que a escassez de água grave, intensificada por secas prolongadas, coloca em perigo a agricultura e a disponibilidade de água potável.

“Vulnerabilidades económicas, como a dependência de combustíveis fósseis importados e alimentos, expõem-nos a choques do mercado global”, afirmou Miguel Monteiro.

A Relatório sobre Clima e Desenvolvimento do País (CCDR) para Cabo Verde, segundo lembrou, adverte que, sem intervenção, as alterações climáticas podem levar a perdas do Produto Interno Bruto até 3,6% até 2050.

“Para uma nação como a nossa, isto não é apenas uma estatística económica, mas uma ameaça directa aos meios de subsistência, estabilidade social e prosperidade a longo prazo”, sublinhou.

Entretanto, apontou Miguel Monteiro, para enfrentar estes desafios e construir um futuro mais sustentável, Cabo Verde tem de mobilizar 842 milhões de dólares em investimentos climáticos até 2030 e 2,593 milhões de dólares até 2050.

“Esta é uma quantia substancial, mas é também uma oportunidade para reformular a nossa trajectória económica”, acrescentou.

Prioridades identificadas

O Governo de Cabo Verde pretende implementar Projectos de Energias Renováveis – reduzir a dependência de combustíveis fósseis e melhorar a segurança energética, de Resiliência Hídrica e Agrícola – investindo em irrigação inteligente, conservação da água e agricultura sustentável para garantir a segurança alimentar e desenvolver infra-estruturas resilientes ao clima – proteger as cidades costeiras, reforçar as redes de transporte e adaptar o planeamento urbano a um clima em mudança.

O PCA da Bolsa de Valores de Cabo Verde diz que estes investimentos não são despesas, mas sim investimentos na futura resiliência do povo e da economia do país.

“Apresentamos o Blu-X, um catalisador para finanças sustentáveis. Mas como financiamos esta transformação? A resposta está em mecanismos financeiros inovadores, e Cabo Verde está a dar um passo corajoso nesta área. A Bolsa de Valores de Cabo Verde, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lançou o Blu-X – uma plataforma dedicada para laços verdes, azuis, sociais e de sustentabilidade”, informou.

Habitada na Bolsa de Valores de Cabo Verde, lembrou Miguel Monteiro, a plataforma Blu-X facilita o investimento em projetos inovadores e sustentáveis, desbloqueando financiamento privado para empreendimentos de impacto.

“O Blu-X também procura capitalizar a posição natural de Cabo Verde como um pivô estratégico entre África, Américas e Europa. Uma plataforma digital amigável que conecta Cabo Verde aos mercados regionais e mundiais. A Blu-X oferece a Cabo Verde a oportunidade de ser pioneira em finanças sustentáveis orientadas para a economia azul, ao mesmo tempo que orienta o capital privado de formas que sirvam as pessoas e o planeta”, detalhou.

De acordo com o responsável, através do Blu-X, Cabo Verde pretende fazer a transição com sucesso para longe da dependência da ajuda, diversificar as suas fontes de financiamento, promover o empreendedorismo, tornar-se mais conectado aos principais mercados e inspirar outros pequenos estados insulares em desenvolvimento.

“Ainda no âmbito do projecto Blu-X, em 2022, a Bolsa de Valores de Cabo Verde, em parceria com a Universidade Técnica Atlântica (UTA), desenvolveu uma das primeiras taxonomias azuis do mundo. Este marco coloca Cabo Verde na vanguarda da inovação financeira sustentável, estabelecendo um quadro claro para identificar projectos e actividades elegíveis para financiamento através da emissão de Blue Bonds”, assegurou.

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