O Governo cabo-verdiano definiu como meta elevar de 23% para 25% a proporção de jovens no ensino superior nos próximos anos. Para atingir o objectivo, o Orçamento do Estado para 2026 prevê reforço de bolsas de estudo no país e no exterior, com prioridade para estudantes oriundos de famílias de baixos rendimentos e regiões mais desfavorecidas.
A medida, apresentada pelo vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, enquadra-se na arbitragem política e técnica do Orçamento, que articula prioridades estratégicas com limites orçamentais.
“O OE 2026 apostará numa educação de excelência, com políticas de qualificação da população, inclusão social, promoção do emprego jovem e fortalecimento do sistema educativo desde a pré-escola até ao ensino superior”, destacou o governante.
Além das bolsas, o plano inclui residências estudantis na Praia e em São Vicente, gratuitidade dos transportes marítimos para deslocações inter-ilhas e reforço das dotações à Fundação Cabo-verdiana de Acção Social Escolar (FICASE), que actualmente apoia 3.500 estudantes bolseiros no país e no estrangeiro.
O pacote educativo prevê ainda a expansão do ensino superior para outras ilhas, novos laboratórios científicos, digitalização do sistema de ensino e programas de inclusão como o “Escola de Todos” e o de superação educativa.
Do ponto de vista estratégico, a aposta no ensino superior é mais do que uma política social; representa um investimento no capital humano de Cabo Verde, essencial para um país arquipelágico com recursos naturais limitados, mas que procura posicionar-se como hub de serviços, inovação e economia digital.
O reforço da formação académica e profissional poderá, no médio prazo, ampliar a competitividade nacional, reduzir desigualdades e atrair parcerias internacionais ligadas à educação e à investigação.
*Com Lusa