Domingos Simões Pereira continua detido em Bissau em meio a crescente tensão política

O presidente do PAIGC – Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, Domingos Simões Pereira, permanece detido na Segunda Esquadra, em Bissau, desde 26 de Novembro. A detenção ocorreu na sede do Partido de Renovação Social (PRS), onde o líder participava numa reunião com representantes da comunidade internacional, num momento em que…
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A detenção do líder do PAIGC adensa a incerteza na Guiné-Bissau, sob forte escrutínio interno e internacional. Informações sobre uma eventual libertação não se confirmaram, enquanto o partido denuncia invasão militar à sua sede.
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O presidente do PAIGC – Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, Domingos Simões Pereira, permanece detido na Segunda Esquadra, em Bissau, desde 26 de Novembro.

A detenção ocorreu na sede do Partido de Renovação Social (PRS), onde o líder participava numa reunião com representantes da comunidade internacional, num momento em que o país atravessa uma crise institucional profunda, após um golpe de Estado protagonizado pelas Forças Armadas.

Naquele dia, militares declararam terem assumido o “controlo total” da Guiné-Bissau e suspenderam o processo eleitoral, poucas horas antes da divulgação oficial dos resultados das eleições gerais realizadas em 23 de Novembro.

O então Presidente, Umaro Sissoco Embaló, foi detido no palácio presidencial e o bloco militar instalou o Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública como autoridade de transição.

Quinta-feira, 27 de Novembro, o general Horta Inta-a foi empossado como Presidente da transição militar e, por decreto, nomeou o actual primeiro-ministro e ministro das Finanças, Ilídio Vieira Té – figura próxima do ex-presidente deposto – para dirigir o Governo de Transição.

É neste quadro de ruptura institucional e militarização do poder que se insere a detenção de Domingos Simões Pereira e de outros dirigentes da oposição. Segundo fonte familiar, Simões Pereira encontra-se detido juntamente com Octávio Lopes e outros dirigentes do PRS.

Apesar de terem circulado informações sobre uma eventual libertação, estas não se confirmaram. A mesma fonte referiu à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA que o líder político terá manifestado a intenção de apenas aceitar a libertação caso todos os seus companheiros sejam igualmente soltos.

Entretanto, na manhã deste Sábado, 29, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde denunciou, através de um comunicado oficial, que a sua sede foi invadida “por um grupo de homens armados e encapuçados, que agrediram dirigentes e colaboradores”. O PAIGC classificou o episódio como “um atentado à estabilidade, à democracia e ao Estado de Direito”, elevando ainda mais as preocupações sobre a segurança e o clima político em Bissau.

A reacção internacional ao golpe de Estado foi quase imediata: a União Africana (UA) determinou a suspensão da Guiné-Bissau das suas actividades até à restauração da ordem constitucional, numa demonstração clara de repúdio ao golpe militar.

Analistas e observadores destacam que este novo episódio marca mais um capítulo da instabilidade crónica que atravessa a Guiné-Bissau desde a sua independência, caracterizada por sucessivos golpes, controvérsias eleitorais e o persistente risco de capturas por redes de narcotráfico.

Num país com fragilíssimas instituições, a detenção dos principais líderes de um dos maiores partidos de oposição, em pleno contexto de governo de transição militar, agrava a incerteza eleitoral e democrática, o que torna a situação actual um ponto de inflexão potencial na trajectória política da Guiné-Bissau.

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