Papa Leão XIV diz que despesas militares a nível mundial atingiram 2,72 biliões USD em dez anos

O Papa Leão XIV avançou nesta Quinta-feira, 01, que, em 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 biliões de dólares, ou seja, 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Numa mensagem por ocasião do…
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"A força dissuasiva do poder e, em particular, a dissuasão nuclear, encarnam a irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força", lamenta o líder da Igreja Católica.
Economia

O Papa Leão XIV avançou nesta Quinta-feira, 01, que, em 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 biliões de dólares, ou seja, 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Numa mensagem por ocasião do Dia Mundial da Paz, o Papa recordou que a paz de Cristo ressuscitado é uma paz desarmada “porque desarmada foi a sua luta dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais”.

No documento publicado no website do Vaticano News e consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, o Pontífice ressaltou que se a paz não for uma realidade experimentada, guardada e cultivada, a agressividade espalha-se, tanto na vida doméstica, quanto na vida pública.

“A força dissuasiva do poder e, em particular, a dissuasão nuclear, encarnam a irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força”, escreve o Papa.

Segundo Leão XIV, os novos desafios devem ser enfrentados actualmente não só com um enorme esforço económico para o rearmamento, mas também com um realinhamento das políticas educativas.

O Papa recorda no texto que “sessenta anos atrás, o Concílio Vaticano II chegava à sua conclusão com a consciência da urgência de um diálogo entre a Igreja e o mundo contemporâneo.

“Ao reiterar o apelo dos Padres conciliares e considerando o diálogo como a via mais eficaz em todos os níveis, constatamos que os recentes avanços tecnológicos e a aplicação das inteligências artificiais no âmbito militar radicalizaram a tragédia dos conflitos armados. Está sendo delineado até mesmo um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares devido ao crescente “delegar” às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas”, considerou.

O líder da Igreja Católica diz ser uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico, do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida.

“É preciso denunciar as enormes concentrações de interesses económicos e financeiros privados que estão a empurrar os Estados nessa direção; mas isso não é suficiente, se ao mesmo tempo não for promovido o despertar das consciências e do pensamento crítico. Hoje, a justiça e a dignidade humana estão, mais do que nunca, expostas aos desequilíbrios de poder entre os mais fortes”, disse.

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