A dependência de sectores concentrados como petróleo e mineração limita a diversificação das actividades económicas em Angola e expõe famílias e pequenas empresas à volatilidade externa, considera economista Lilhan Barbosa.
Em entrevista à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, a economista apontou que o desafio central é criar condições para que agentes individuais, famílias, pequenos produtores, star-tups e empreendedores possam operar com eficiência, acesso a recursos e autonomia, transformando inclusão e inovação em vantagens estruturais que sustentem o desenvolvimento.
O posicionamento económico não se sustenta apenas pela capacidade de gerar crescimento, mas pela habilidade de transformar desafios em vantagens estruturais. No contexto africano, particularmente em Angola, onde persistem barreiras de infra-estrutura, acesso limitado a crédito e desigualdade de oportunidades, manter relevância exige mais do que expansão do Produto Interno Bruto (PIB).
Sustentou que ainda que é necessário alinhar políticas públicas às dificuldades reais, investir em inovação tecnológica, garantir inclusão plena de mulheres e jovens e fortalecer a governança em sectores estratégicos.
“Só assim o crescimento deixa de ser circunstancial e se converte em competitividade sustentável, capaz de atrair investimento, diversificar a economia e consolidar liderança no cenário global. Desafios só se tornam vantagens estruturais quando são enfrentados com inovação, inclusão e políticas públicas alinhadas às dificuldades reais”, disse.
Em Angola, exemplificou, transformar barreiras como acesso limitado a crédito e desigualdade de género em oportunidades de liderança feminina e fintechs inclusivas pode reposicionar o país como referência africana em competitividade e sustentabilidade.
“Somente ao integrar estabilidade macroeconómica com eficiência microeconómica e inclusão plena, Angola poderá transformar vulnerabilidades em vantagens competitivas, consolidando um mercado mais resiliente, inovador e sustentável, e reposicionando-se em buca da referência africana”, disse.
No entanto, reforçou que a elevada dependência petróleo em Angola continua a expor o país a choques externos de preços e volatilidade cambial, enquanto a inflação e a desvalorização do kwanza pressionam o poder de compra e a estabilidade fiscal.
A economista sublinhou que o desafio central é a diversificação da matriz produtiva, com maior alocação de capital em sectores de alto potencial como agricultura, indústria transformadora, mineração sustentável, serviços financeiros digitais e turismo.
Para investidores e gestores de portfólio, segundo disse, este contexto exige uma abordagem baseada em inteligência de dados e modelagem preditiva, capaz de antecipar tendências e mitigar riscos.
“A fluência em inteligência artificial aplicada a mercados e o uso de analytics avançados tornam-se instrumentos críticos para decisões de alocação de activos e avaliação de risco, ao mesmo tempo, a agilidade e resiliência estratégica são indispensáveis para ajustar posições em cenários de alta volatilidade, enquanto a empatia cognitiva fortalece a capacidade de liderança e mobilização de stakeholders em ambientes complexos”, argumenta.
Neste processo, acrescentou, a competitividade é um factor-chave. “Não podemos ter medo de competir, pois é a competição que gera eficiência, inovação e credibilidade internacional. Precisamos aceitar novos jogadores e fazer um bom jogo”, salienta.
Lilhan considera que um mercado competitivo atrai capital, estimula produtividade e posiciona Angola como player relevante no continente africano e global.
“As start-ups surgem como catalisadores dessa dinâmica, oferecendo soluções escaláveis em fintech, agritech e energias renováveis, enquanto programas de mentoria funcionam como mecanismos de transferência de know-how e aceleração de competências, essenciais para consolidar um ecossistema competitivo, com disciplina fiscal, rigor regulatório e integração tecnológica, Angola pode transformar vulnerabilidades em oportunidades de investimento, reposicionando-na sustentabilidade, inovação e inclusão”, entende.
Na óptica da economista, o maior desafio do sector no país e em grande parte da África não está apenas em gerar crescimento agregado, mas em garantir que esse crescimento se traduza em eficiência produtiva e inclusão nos níveis locais.





