Banco Nacional de Angola reduz taxa de juro de 18,5% para 17,5%

O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu reduzir a taxa básica BNA de 18,5% para 17,5%, a taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 19,5% para 18,5% e manter a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 16,5%. Segundo o governador do banco central, Manuel Tiago Dias,…
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Manuel Tiago Dias disse que a decisão sobre as taxas de juro de política justifica-se pela desaceleração consistente da inflação, que em Dezembro superou o objectivo definido para 2025, bem como pela perspectiva de manutenção desta tendência nos próximos meses.
Economia

O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu reduzir a taxa básica BNA de 18,5% para 17,5%, a taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 19,5% para 18,5% e manter a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 16,5%.

Segundo o governador do banco central, Manuel Tiago Dias, que falava em conferência de imprensa, na sequência da 127ª Reunião do Comité Política Monetária (CPM), a decisão sobre as taxas de juro de política justifica-se pela desaceleração consistente da inflação, que em Dezembro superou o objectivo definido para 2025, bem como pela perspectiva de manutenção desta tendência nos próximos meses.

“O ano de 2025 foi marcado por tensões comerciais e geopolíticas, que acentuaram a volatilidade nos mercados financeiros e os preços das commodities, condicionando o crescimento da economia mundial”, disse o responsável do BNA.

O governador ressaltou que ao longo do ano, observou-se a consolidação do processo de desinflação da economia mundial, o que levou muitos bancos centrais a adoptarem uma postura de maior flexibilização da política monetária.

Manuel Tiago Dias informou que a taxa de inflação no final de 2025, fixou-se em 15,70%, reflectindo uma redução significativa, face aos 27,50% registados em 2024.

“A redução da inflação resultou, essencialmente, do aumento da oferta de produtos de amplo consumo, da melhoria das condições monetárias, reflectida no controlo da liquidez em circulação e na sua adequação à actividade económica, assim como da estabilidade cambial observada ao longo do ano”, disse.

Em 2025, referiu que o BNA estimava um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,6%, destacando-se a contribuição positiva do sector não petrolífero, com uma taxa de crescimento de 4,3%, ao passo que o sector petrolífero terá contraído 4,6%.

“Relativamente às condições monetárias, a Base Monetária em moeda nacional expandiu 3,77% em 2025, influenciada pelo crescimento observado em Dezembro, na ordem de 5,36%. O agregado monetário M2, em moeda nacional, cresceu 15,89% em termos acumulados, em linha com o aumento do nível geral de preços”, disse.

O stock de crédito à economia, em moeda nacional em 2025, salientou o governador do BNA, atingiu 7,37 mil milhões de kwanzas em Dezembro, representando uma expansão acumulada de 22,55%, ou seja, 1,36 mil milhões de kwanzas em termos absolutos face ao stock observado em Dezembro de 2024.

No entanto, ressaltou que, o Sistema de Pagamentos de Angola registou em 2025 uma aceleração da digitalização dos pagamentos. O crescimento dos canais electrónicos e instantâneos tiveram um impacto positivo na inclusão financeira.

“Assistiu-se, igualmente, ao incremento do volume de transacções na Rede Multicaixa e nos sistemas de transferências, como a descontinuidade dos cheques como instrumento de pagamento, a adesão aos pagamentos instantâneos no âmbito do arranjo KWiK, a adopção dos pagamentos com recurso ao QR Code e o aumento do número de caixas automáticos em 12%, tendo passado de 4 127 em 2024 para 4 621.”, indicou Dias.

Quanto ao stock das Reservas Internacionais, sinalizou que fixou-se em 15 903,69 milhões de dólares, face aos 15 767,56 milhões de dólares registados no ano anterior, o que corresponde a um aumento de 136,13 milhões de dólares.

Este nível das reservas internacionais, indicou, representa um grau de cobertura de 7,6 meses de importação de bens e serviços.

Já para o ano de 2026, o BNA perspectiva uma taxa de inflação, no final do período, de 13,5%, sustentada pela manutenção de um nível de liquidez adequado ao crescimento económico, pela relativa estabilidade dos preços das commodities alimentares no mercado internacional, bem como pela evolução favorável da oferta interna de bens de amplo consumo e um crescimento do PIB em torno de 3,5%, a ser impulsionado pelos sectores não petrolífero (4,5%) e petrolífero (1,1%).

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