A atribuição do prémio, pelas mãos do reitor da UniCV, José Barreto, reconhece o percurso intelectual de Carlos Lopes e a relevância do seu pensamento crítico nos debates sobre desenvolvimento, justiça social e governação global, com particular incidência nas dinâmicas do Sul Global. Visivelmente emocionado, Carlos Lopes sublinhou o “significado simbólico de ser o primeiro distinguido com um prémio que evoca o legado político e intelectual de Amílcar Cabral, figura central da luta pela emancipação dos povos africanos e pela afirmação do pensamento autónomo”.
No âmbito da cerimónia, Carlos Lopes proferiu a conferência “A África e o fim das certezas multilaterais”, na qual analisou as profundas transformações geopolíticas, económicas e institucionais que estão a redefinir as relações internacionais. Na sua intervenção, defendeu a necessidade de África assumir uma posição mais estratégica e menos dependente num sistema global marcado pelo enfraquecimento do multilateralismo tradicional, pela emergência de novas potências e por crescentes tensões globais.
A universidade destacou que a distinção visa valorizar personalidades cujo contributo académico e intelectual promova uma consciência crítica, emancipatória e comprometida com modelos de desenvolvimento mais inclusivos. Para a Universidade de Cabo Verde, o prémio insere-se numa visão que reforça o papel da academia como espaço de pensamento livre, debate informado e produção de conhecimento relevante para os desafios contemporâneos.
Com uma carreira internacional ligada às Nações Unidas, ao ensino universitário e à reflexão estratégica sobre África, Carlos Lopes tem sido uma das vozes mais influentes na crítica aos modelos tradicionais de desenvolvimento e na defesa de uma governação global mais equitativa. A sua distinção pela Uni-CV surge, assim, como um reconhecimento do valor do pensamento africano no centro das grandes discussões globais e como um convite à construção de novos caminhos para o continente.





