Brasil e Moçambique envolvidos em vasta operação da Interpol com 3.744 detidos

Um total de 3.744 suspeitos foram detidos numa vasta operação global coordenada pela Interpol contra redes de imigração ilegal e de tráfico de seres humanos, com resultados de relevo em Brasil, Moçambique, Espanha, Costa Rica e Peru. A operação “Liberterra III” decorreu entre 10 e 25 de novembro de 2025 e envolveu autoridades de 119…
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Em declarações à imprensa, David Caunter, responsável pelo combate ao crime emergente e organizado na organização, destacou a cooperação bem-sucedida de vários países, como Espanha e Colômbia.
Economia

Um total de 3.744 suspeitos foram detidos numa vasta operação global coordenada pela Interpol contra redes de imigração ilegal e de tráfico de seres humanos, com resultados de relevo em Brasil, Moçambique, Espanha, Costa Rica e Peru.

A operação “Liberterra III” decorreu entre 10 e 25 de novembro de 2025 e envolveu autoridades de 119 países e territórios. Em comunicado, a Interpol assegurou que a “Liberterra III” permitiu evitar que 4.414 pessoas caíssem em redes de tráfico de seres humanos e identificou 12.992 “imigrantes em situação irregular”.

Em declarações à imprensa, David Caunter, responsável pelo combate ao crime emergente e organizado na organização, destacou a cooperação bem-sucedida de vários países, como Espanha e Colômbia.

As autoridades espanholas desmantelaram uma rede criminosa que traficava mulheres para exploração sexual através de salões de beleza e casas de massagens em Barcelona e Marbella. Nesta rede, foram identificadas 21 mulheres, na sua maioria de origem colombiana.

As vítimas eram submetidas a vigilância constante, abusos e obrigadas a pagar dívidas de 6.000 euros através da prostituição. Os mesmos estabelecimentos eram também utilizados para a venda de droga. “Em Espanha, identificámos uma relação entre o tráfico de seres humanos e o tráfico de droga”, prosseguiu Caunter.

“A companheira do suspeito, professora na mesma instituição, também foi detida, uma vez que as autoridades acreditam que facilitou o acesso para recrutar vítimas adicionais”, indicou a organização. No Brasil, foi desmantelada uma rede transnacional de tráfico de migrantes ligada ao Paquistão, Afeganistão, México e Estados Unidos.

“As autoridades detiveram o principal suspeito, impuseram restrições de viagem e congelaram ativos no valor de 5,94 milhões de reais (cerca de 936 milhões de euros), incluindo bens imóveis, veículos, embarcações, aeronaves e criptomoedas”, referiu a polícia internacional.

Outra das rotas transnacionais destacadas passava pelo Peru, onde as autoridades desmantelaram o grupo “Los Zorritos del Norte”, “suspeito de traficar 30 migrantes venezuelanos, entre os quais seis menores de idade, para o Chile”.

David Caunter explicou ainda que as autoridades constataram “uma mudança nos padrões migratórios: os fluxos inverteram-se em grande medida e há mais cidadãos sul-americanos a deslocarem-se para sul através da América Central”.

A Interpol, diz a Lusa, estimou que “as políticas migratórias regionais parecem estar a influenciar estes movimentos”, sem especificar que países as aplicam, embora se entenda que a referência é, em particular, à inflexão registada nos Estados Unidos desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca.

 

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