Fundo Activo de Capital de Risco Angolano com portfólio avaliado em 1,7 mil milhões de kwanzas

O portfólio actual do Fundo é composto por seis empresas, avaliadas globalmente em cerca de 1,7 mil milhões de kwanzas, de acordo com dados apresentados pelo coordenador da Comissão de Reestruturação do Fundo Activo de Capital de Risco Angolano (FACRA), Mário Mangueira. Trata-se de empresas que operam maioritariamente nos sectores ligados à logística da produção…
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Coordenador da Comissão de Reestruturação do FACRA, Mário Mangueira, diz que o portfólio actual do Fundo é composto por seis empresas, que operam maioritariamente nos sectores ligados à logística da produção nacional.
Economia

O portfólio actual do Fundo é composto por seis empresas, avaliadas globalmente em cerca de 1,7 mil milhões de kwanzas, de acordo com dados apresentados pelo coordenador da Comissão de Reestruturação do Fundo Activo de Capital de Risco Angolano (FACRA), Mário Mangueira.

Trata-se de empresas que operam maioritariamente nos sectores ligados à logística da produção nacional, com destaque para transporte, armazenamento e conservação de produtos agropecuários e das pescas, bem como pequenas indústrias de processamento alimentar.

O coordenador, citado numa nota do Ministério das Finanças, referiu que o FACRA opera através do modelo de capital de risco, assumindo participação minoritária no capital social das empresas e partilhando os riscos do negócio com o promotor.

O FACRA já investiu num total de dez empresas. Com o início da sua reestruturação em 2019, o Fundo alinhou a sua estratégia com os desafios prioritários da economia nacional e, desde 2023, foca a sua actuação no sector da logística da produção de produtos agropecuários, contribuindo assim para o fortalecimento da segurança alimentar.

Actualmente, seis empresas integram o portfólio do FACRA e asseguram um total de 289 postos de trabalho, entre empregos mantidos e criados, reflectindo um impacto social ainda limitado em termos macroeconómicos, mas relevante ao nível local e sectorial. As empresas apoiadas estão localizadas nas províncias do Bié, Benguela, Huambo, Huíla e Luanda, reforçando a presença do Fundo em vários pontos do país.

Ao contrário do crédito bancário, o Fundo não exige garantias reais ou avalistas, privilegiando: a viabilidade do plano de negócios; a capacidade de gestão do promotor; o potencial de crescimento e o impacto económico.

Para elevar o potencial das empresas no mercado angolano, em 2024, o FACRA assinou um memorando de cooperação com o BFA-Gestão de Activos, visando co-investimentos, partilha de risco e captação de projectos conjuntos, além da projecção internacional do capital de risco angolano.

No que diz respeito à análise dos projectos, Mário Mangueira referiu que o mesmo decorre num prazo médio de 45 dias, podendo variar em função da resposta do empresário às exigências técnicas e financeiras. Dados do Fundo indicam que apenas 10% a 15% dos projectos submetidos apresentam consistência suficiente para avançar para a fase de aprovação.

O responsável informou que o FACRA trabalha para consolidar um novo modelo de actuação assente em governação corporativa, transparência e acompanhamento directo das empresas financiadas, numa tentativa de afirmar-se como alternativa complementar ao financiamento bancário e instrumento de apoio à diversificação da economia nacional.

No âmbito da nova fase institucional, o FACRA implementou medidas rigorosas de governação corporativa, incluindo: auditorias externas anuais obrigatórias às empresas participadas; separação entre finanças pessoais e tesouraria empresarial; direito de veto do Fundo em decisões estratégicas e financeiras relevantes; e acompanhamento permanente da gestão.

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