O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, apelou à mudança urgente para práticas sustentáveis que possam restaurar a biodiversidade e proteger as reservas hídricas, tornando o país proativo no movimento global pela segurança alimentar e resiliência climática.
José Ramos-Horta falava no Fórum Económico Mundial de 2026, para contribuir com o diálogo de alto nível sobre a iniciativa “100 Milhões de Agricultores”, com o objectivo de transformar o sistema alimentar global.
Em resposta ao déficit anual de financiamento de 350 biliões de dólares para a agricultura regenerativa, o Presidente enfatizou que, embora a produção de alimentos seja responsável por 30% das emissões globais, a solução deve vir exclusivamente de investimentos de capital.
Durante sua intervenção, Ramos-Horta desafiou a comunidade internacional a olhar além do financiamento tradicional, argumentando que o verdadeiro catalisador para a transformação é o “espírito empreendedor”. O presidente afirmou que, embora o capital global esteja disponível, há uma carência de “ideias criativas” e liderança inovadora para implementá-las de forma eficaz no nível local.
Defendeu um modelo inovador em que os agricultores são tratados como importantes agentes econômicos, apoiados por pacotes flexíveis de incentivos financeiros e pela monetização de serviços ecossistêmicos, como o sequestro de carbono e a saúde do solo, para garantir que a agricultura sustentável se torne um negócio viável para 100 milhões de agricultores em todo o mundo.
O chefe de Estado destacou que o modelo de gestão colectiva e educação comunitária de Timor-Leste, incluindo os esforços locais bem-sucedidos para eliminar o lixo plástico, serve de exemplo de sustentabilidade global. Ao combinar a colaboração financeira inovadora com a inovação local, Ramos-Horta reafirmou o compromisso de Timor-Leste com um futuro positivo para a natureza, que equilibra a recuperação ambiental com a prosperidade económica.





