A Engigest Holding pretende criar em Cabinda uma base capaz de exportar serviços de engenharia a partir de Angola para mercados internacionais, posicionando o país como fornecedor de conhecimento técnico e não apenas de recursos naturais, com a entrada em funcionamento da primeira fase do seu novo escritório na referida província, concebido para suportar engenharia digital e trabalho administrativo.
Neste sentido, focada na promoção do Conteúdo Local, a Engigest Holding, empresa 100% angolana, que oferece a solução de negócios na definição do serviço correto e das soluções de fornecimento para a indústria de energia, reforça o compromisso com o desenvolvimento local, a capacitação de quadros nacionais e a inovação tecnológica na engenharia.
Em entrevista à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, o Presidente do Conselho de Administração, Anderson Fernandes, explicou que o novo espaço integra sala de engenharia, onde as equipas locais vão desenvolver trabalhos de elevada complexidade tecnológica.
“Inclui, igualmente, desenhos técnicos de estruturas e modificações, linhas isométricas, as-built, bem como processos completos de digitalização, laser scanning, modelagem 3D e Digital Twin. Todas estas actividades são realizadas integralmente em Cabinda, em proximidade directa com as operações dos clientes”, explicou.
O responsável detalhou que o novo escritório representa mais do que uma expansão física, é uma evolução da forma como fazemos engenharia em Angola.

“Criamos um espaço pensado para produtividade técnica, colaboração multidisciplinar e integração com equipas internacionais. Dispomos de uma sala de reuniões altamente equipada, com tecnologia de comunicação avançada e preparada para videoconferência técnica em tempo real, permitindo participar em revisões técnicas, design reviews e decisões de projecto com operadores e parceiros globais sem necessidade de deslocações. Isto reduz o tempo de resposta, diminui custos operacionais e aumenta significativamente a eficiência dos projectos”, acrescentou.
Historicamente, recorda Anderson Fernandes, grande parte da engenharia de detalhe associada ao sector petrolífero era executada fora de Angola através de workshare, principalmente na Índia, devido ao diferencial de custos salariais — enquanto em Angola um engenheiro qualificado pode custar entre 8 e 12 mil dólares, na Índia o mesmo perfil pode custar entre 2 e 3 mil dólares.
“A Engigest está a inverter este paradigma. Estamos a investir fortemente na capacitação de engenheiros nacionais, recrutados directamente de universidades angolanas e estrangeiras, com formação prática em projectos reais, metodologias internacionais e transferência efectiva de know-how”, assegurou.

O objectivo, de acordo com o PCA, é tornar Angola competitiva não pela redução salarial, mas pela produtividade técnica, utilizando engenharia digital, modelação avançada e automação de processos para produzir mais rápido, com qualidade internacional e custo optimizado.
“Assim, o Conteúdo Local deixa de ser apenas uma obrigação contratual e passa a constituir uma vantagem operacional para as operadoras. Esta infra-estrutura é o primeiro passo do projecto estratégico Malembo Knowledge City. A visão é transformar Malembo num polo tecnológico de engenharia e indústria, ligado à energia, infra-estruturas e transformação digital. Não será apenas um centro de escritórios, mas um ecossistema composto por centros de engenharia, formação técnica, simulação industrial, laboratórios digitais e desenvolvimento de soluções industriais”, enfatizou.
Com esta presença local, garantiu, as empresas podem interagir directamente com equipas técnicas no terreno, reduzir tempos de decisão, melhorar a precisão dos projectos e aumentar a segurança operacional.
“Cabinda deixa de ser apenas um local de operação e passa também a ser um centro de engenharia. Não estamos apenas a empregar engenheiros — estamos a formar especialistas capazes de conceber, simular, optimizar e gerir activos industriais complexos ao longo de todo o seu ciclo de vida. Isto contribui para a criação de uma nova geração de profissionais preparados para a indústria do futuro: mais tecnológica, mais integrada e menos dependente de suporte externo”, sustentou.
Com inauguração da infra-estrutura, foram gerados mais de 100 empregos directos e cerca de 300 empregos indirectos, contribuindo para a retenção de talento técnico em Cabinda e para o desenvolvimento económico sustentável da região.





