Ao longo de três dias, a Avenida Amílcar Cabral, em Bissau, foi palco de um desfile vibrante que reuniu milhares de foliões num dos momentos culturais mais emblemáticos da Guiné-Bissau. Entre cor, música e manifestações tradicionais, vários bairros participaram activamente, representando diferentes grupos étnicos e expressões culturais que compõem o mosaico identitário do país.
As apresentações evidenciaram não apenas a riqueza cultural guineense, mas também a convivência harmoniosa entre diferentes confissões religiosas, etnias e tradições. O evento contou ainda com convidados internacionais, entre os quais Marrocos, reforçando a dimensão diplomática e cultural do Carnaval, que se afirma progressivamente como plataforma de intercâmbio e projecção externa.
No encerramento das festividades, esta Segunda-feira, 16 de Fevereiro, a ministra da Cultura, Juventude e Desportos, Juelma Cubala, sublinhou a importância histórica do Carnaval, classificando-o como um dos maiores eventos culturais do país desde os seus primórdios.
A governante destacou a forte adesão popular registada nesta edição, assinalando o regresso do desfile ao centro da capital como um marco simbólico. Referiu ainda a introdução de novos elementos, nomeadamente a integração da batucada e de estilos musicais juvenis, numa estratégia que visa promover maior inclusão geracional e renovar o interesse das camadas mais jovens.

O desfile foi organizado pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desportos e contou com a presença de membros do Governo, entre eles ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunicações, João Bernardo Vieira, e o ministro da Justiça, Carlos Pinto Pereira, além de diplomatas e representantes estrangeiros acreditados no país.
Apesar de alguns constrangimentos organizativos e críticas pontuais, o ambiente festivo prevaleceu, com a principal artéria de Bissau repleta de entusiasmo popular.
Num país que enfrenta desafios estruturais em termos económicos e institucionais, a cultura assume-se como um dos sectores com maior potencial de valorização identitária e projecção internacional. Eventos como o Carnaval não só reforçam a coesão social interna, como podem representar oportunidades de dinamização económica, sobretudo nas áreas do turismo, indústrias criativas e economia informal.





