Desmantelado em Luanda mais um centro de mineração de criptomoedas

As autoridades angolanas desmantelaram, em Luanda, um estaleiro clandestino de mineração de criptomoedas equipado com cerca de 3.000 processadores, cuja operação poderia gerar receitas superiores a 3.000 dólares por dia (aproximadamente 90 mil dólares mensais), segundo dados avançados pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC). A operação resultou na detenção de dez indivíduos, dois de nacionalidade…
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Operação do Serviço de Investigação Criminal (SIC) revela infra-estrutura clandestina de grande escala, capaz de gerar mais de 3.000 dólares por dia à margem da lei. Dez detidos e quase 3 mil processadores foram apreendidos.
Economia

As autoridades angolanas desmantelaram, em Luanda, um estaleiro clandestino de mineração de criptomoedas equipado com cerca de 3.000 processadores, cuja operação poderia gerar receitas superiores a 3.000 dólares por dia (aproximadamente 90 mil dólares mensais), segundo dados avançados pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC).

A operação resultou na detenção de dez indivíduos, dois de nacionalidade chinesa e oito angolanos, num caso que volta a expor a dimensão económica e o potencial impacto energético da mineração ilegal no país.

De acordo com o SIC, tratava-se de uma infra-estrutura de grande escala, equipada com mais de dois mil processadores dedicados à actividade de mineração, sistemas de ventilação industrial, cablagem especializada e um posto de transformação de elevada capacidade, ligado directamente à rede pública de energia eléctrica, um dos factores críticos neste tipo de operação.

O porta-voz do SIC, Manuel Halaiwa, afirmou que o local foi “escolhido a dedo”, quer pela facilidade de acesso à energia eléctrica da rede pública, quer pelo isolamento estratégico. O espaço encontrava-se protegido por duas cancelas com guarnição armada, evidenciando um grau de organização e investimento que ultrapassa iniciativas artesanais ou de pequena escala.

Além do equipamento tecnológico, foram apreendidas cinco viaturas utilizadas no transporte do material, reforçando a percepção de uma operação estruturada, com logística própria.

Este é o segundo caso tornado público pelo SIC em 2026. No início do ano, as autoridades desmantelaram, no município de Viana, um centro clandestino com mais de 1.500 processadores, instalado no interior de uma fábrica e alimentado por dois postos de transformação da rede pública. Nessa operação foram detidos quatro cidadãos angolanos, que actuavam sob liderança de cidadãos chineses.

Implicações económicas da actividade

A reincidência destes casos evidencia a crescente pressão sobre o sistema energético nacional e levanta questões sobre a capacidade de fiscalização num contexto em que a mineração de criptomoedas foi formalmente proibida em Angola, ao abrigo de legislação aprovada em 2024. A lei visa proteger o sistema financeiro, mitigar riscos de branqueamento de capitais e salvaguardar a segurança energética do país.

Num cenário de restrições energéticas recorrentes em várias zonas da capital angolana e de necessidade de atrair investimento produtivo, a proliferação de centros clandestinos representa não apenas um desafio criminal, mas também económico: trata-se de consumo intensivo de energia subsidiada, sem retorno fiscal ou impacto estruturante na economia real.

A sucessão de operações sugere que, apesar da proibição legal, a actividade permanece atractiva para redes organizadas, impulsionada pelo diferencial entre o custo local da energia e a rentabilidade potencial do mercado global de activos digitais.

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