Ex-secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos alvo de vigilância digital com Spyware Predator

Uma nova investigação forense da Amnistia Internacional, originalmente conduzida pela Friends of Angola e pela Front Line Defenders, confirmou que o spyware Predator, desenvolvido pela empresa de vigilância Intellexa, foi utilizado para visar o proeminente jornalista angolano e defensor da liberdade de imprensa Teixeira Cândido em 2024. “O caso de Teixeira Cândido surgiu no âmbito de uma investigação…
ebenhack/AP
“O ataque foi precedido por semanas de engenharia social direcionada. Um número angolano desconhecido contactou-o via WhatsApp, apresentando-se como estudantes interessados em discutir os desafios sociais e económicos de Angola”, detalham Friends of Angola e Front Line Defenders.
Economia

Uma nova investigação forense da Amnistia Internacional, originalmente conduzida pela Friends of Angola e pela Front Line Defenders, confirmou que o spyware Predator, desenvolvido pela empresa de vigilância Intellexa, foi utilizado para visar o proeminente jornalista angolano e defensor da liberdade de imprensa Teixeira Cândido em 2024.

“O caso de Teixeira Cândido surgiu no âmbito de uma investigação mais ampla sobre ameaças de vigilância em Angola ao longo de 2025, originalmente conduzida pela Friends of Angola e pela Front Line Defenders”, afirmou a Amnistia Internacional.

A nota publicada no website da Friends of Angola refere que este é o primeiro caso confirmado de utilização do spyware Predator em Angola e sinaliza uma preocupante escalada na repressão digital contra vozes independentes no país.

De acordo com o Security Lab da Amnistia Internacional, a análise forense do iPhone de Teixeira Cândido revelou evidências de comunicações associadas ao spyware Predator da Intellexa em 4 de maio de 2024, confirmando que o dispositivo foi efetivamente infetado.

“O ataque foi precedido por semanas de engenharia social direcionada. Um número angolano desconhecido contactou-o via WhatsApp, apresentando-se como estudantes interessados em discutir os desafios sociais e económicos de Angola. Após ganhar a sua confiança, o atacante enviou links disfarçados como artigos de notícias legítimos. Quando um desses links foi aberto, o spyware foi instalado”, lê-se no documento.

A organização explica que o Predator é uma ferramenta avançada de vigilância capaz de aceder a praticamente toda a informação armazenada num dispositivo.

“Pode extrair dados de aplicações de mensagens encriptadas, recolher emails e palavras-passe, recuperar fotografias e listas de contactos, monitorizar dados de localização, gravar chamadas e até ativar remotamente o microfone do aparelho. Projectado para deixar poucos vestígios forenses, é uma das formas mais intrusivas de vigilância digital atualmente disponíveis”, acrescenta-se.

Teixeira Cândido é um jornalista respeitado e antigo Secretário-Geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA). Desde 2022, tem enfrentado diversas formas de intimidação, incluindo arrombamentos inexplicáveis no seu escritório e o desaparecimento de computadores.

Após a confirmação forense, Cândido descreveu o impacto emocional do ataque, afirmando sentir-se exposto e limitado, incapaz de confiar nos seus próprios dispositivos.

Contudo, a Friends of Angola apela uma investigação independente e transparente sobre o ataque com spyware; esclarecimento público sobre qualquer aquisição ou uso de ferramentas de vigilância comercial em Angola; reforço das salvaguardas legais de proteção a jornalistas e à sociedade civil e maior escrutínio internacional sobre a indústria de spyware comercial para prevenir abusos futuros.

Mais Artigos