A economia angolana deverá crescer 3,3% em 2026, num cenário sustentado sobretudo pela expansão da actividade não-petrolífera, que poderá avançar 4,5%, enquanto o sector petrolífero deverá voltar a registar contracção, estimada em 1,9%.
As projecções constam do Relatório de Conjuntura do Banco Fomento Angola (BFA), ao qual a FORBES ÁFRICA LUSÓFONA teve acesso, e traçam um retrato de continuidade macroeconómica num contexto político particularmente sensível.
Na perspectiva sectorial, a agro-pecuária deverá apresentar o maior dinamismo, com um crescimento estimado de 5,9%, consolidando o seu papel crescente na diversificação económica. Já os serviços e a indústria poderão crescer 2,2% e 2,9%, respectivamente.
O consumo privado, segundo o BFA, deverá continuar a assumir-se como principal motor da actividade económica, com um crescimento nominal próximo de 22%. Este dado reflecte não apenas maior circulação monetária, mas também pressões inflacionistas ainda relevantes, que influenciam a dinâmica nominal da despesa.
Ano pré-eleitoral sob vigilância
O relatório sublinha que 2026 será um ano pré-eleitoral, factor que tende a aumentar o peso político e social das decisões de política económica.
“Em 2026, a economia angolana entra num ano pré-eleitoral, num contexto em que as decisões de política económica ganham maior peso político e social, influenciando de forma significativa a execução orçamental, a política monetária e a dinâmica cambial”, lê-se no documento.
Para os analistas, este enquadramento pode traduzir-se em maior pressão sobre a despesa pública e numa gestão mais delicada dos equilíbrios macroeconómicos.
No plano dos preços, o BFA antecipa uma desaceleração da inflação, impulsionada por maior estabilidade cambial. Ainda assim, os níveis permanecerão elevados.
A instituição projecta uma inflação média anual em torno de 12,6%, com a taxa de final de período situada nos 13,4%. Este cenário poderá continuar a limitar ganhos mais expressivos no poder de compra das famílias e aumentar a sensibilidade social em torno da despesa pública, variável particularmente relevante em ambiente pré-eleitoral.
O mercado cambial, por sua vez, deverá manter-se como um dos principais focos de risco. Persistem fragilidades estruturais, incluindo um “backlog” de divisas superior a mil milhões de dólares e um diferencial ainda significativo entre o mercado formal e o paralelo.
Contudo, a instituição bancária antecipa que uma maior captação de financiamento externo e o aumento gradual da disponibilidade de divisas fora do sector petrolífero possam contribuir para uma ligeira melhoria das condições cambiais e para uma taxa de câmbio relativamente estável ao longo de 2026.
Continuidade com riscos acrescidos
Em síntese, o Banco de Fomento Angola aponta para um ano de continuidade do ciclo de recuperação económica, mas com riscos políticos acrescidos.
“Esperamos que 2026 seja um ano de continuidade, mas com riscos acrescidos de natureza política, reforçando a necessidade de disciplina macroeconómica e de aceleração das reformas estruturais”, conclui o documento.
Num país ainda fortemente dependente das receitas petrolíferas, o desempenho da economia não-petrolífera e a estabilidade cambial serão determinantes para sustentar a confiança dos investidores e preservar o equilíbrio macroeconómico num dos períodos politicamente mais sensíveis do ciclo governativo.





