A subsidiária logística da estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) anunciou a aquisição de dois barcos-piloto destinados a reforçar as operações de apoio marítimo ao sector de petróleo e gás, numa altura em que o Norte de Moçambique se consolida como epicentro dos grandes projectos energéticos do continente.
Com esta incorporação, a CFM Logistics passa a contar com sete embarcações activas, distribuídas pelos portos de Nacala, Pemba e Afungi, este último directamente ligado às operações de gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma.
Segundo comunicado da empresa, os novos meios flutuantes permitirão ampliar a capacidade de resposta face ao aumento da procura, acompanhando o crescimento do movimento de navios associado à dinâmica dos projectos de petróleo e gás.
“A aquisição destas embarcações reforça significativamente a nossa capacidade operacional. Hoje contamos com sete embarcações a operar nos portos de Nacala, Pemba e em Afungi, permitindo-nos prestar um serviço mais eficiente e responder aos desafios do crescimento da indústria”, refere a direcção da empresa.
As duas novas embarcações encontram-se posicionadas no Porto de Nacala, província de Nampula, considerado um dos principais corredores logísticos do país e porta estratégica para operações offshore.
Com 13,40 metros de comprimento, velocidade até 20 nós e autonomia aproximada de 300 milhas náuticas, os barcos estão equipados com motorização dupla, sistemas modernos de navegação e elevados padrões de segurança. Na prática, estas especificações traduzem-se em maior eficiência operacional, redução dos tempos de espera e melhoria da fiabilidade nas manobras portuárias, factores críticos para operadores internacionais do sector energético.
Investimento de 15 milhões até 2026
De acordo com informação avançada pela Lusa, a aquisição integra-se num pacote de investimento estimado em cerca de 15 milhões de dólares em meios flutuantes até 2026.
A estratégia revela uma ambição clara: modernizar e expandir a frota, consolidando a presença da CFM Logistics na cadeia de valor logística do sector energético, num momento em que Moçambique procura afirmar-se como um dos principais produtores africanos de gás natural liquefeito.
Para além do reforço operacional imediato, o investimento sinaliza também um posicionamento estratégico da empresa pública num segmento de elevada margem e crescente sofisticação técnica. Num contexto em que os megaprojectos energéticos exigem padrões internacionais de eficiência e segurança, a capacidade de resposta logística torna-se um diferencial competitivo.
Mais do que uma simples aquisição de activos, trata-se de um movimento alinhado com a trajectória de crescimento do sector energético nacional e com a necessidade de garantir que a infra-estrutura portuária acompanhe o ritmo dos investimentos multibilionários em curso no norte do país.





