“Angola não tem recenseamento geral da população, o único recenseamento válido para os investigadores é o de 2014”, revela Alves da Rocha

O director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC), Alves da Rocha, revelou, em Luanda, que o “país não tem recenseamento geral da população”, justificando que “o único recenseamento válido para os investigadores é o de 2014”. Alves da Rocha falava na abertura da apresentação dos “Cenários de Crescimento da Economia…
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Director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola afirma que o Censo 2024 apresenta vicissitudes, o que dificulta calcular a taxa de emprego ou desemprego na economia nacional.
Economia

O director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC), Alves da Rocha, revelou, em Luanda, que o “país não tem recenseamento geral da população”, justificando que “o único recenseamento válido para os investigadores é o de 2014”.

Alves da Rocha falava na abertura da apresentação dos “Cenários de Crescimento da Economia Angolana até 2030 e Impactos sobre o Emprego e a Pobreza”, realizado recentemente.

“Censo Geral da População e Habitação realizado 2024 toda gente conhece as vicissitudes que tocaram nesse recenseamento, de tal maneira que fica difícil, por exemplo, nós calcularmos a taxa de emprego ou a taxa desemprego na economia nacional, quando não temos uma base fixa e segura da população”, lamentou.

Para Alves da Rocha, os impactos sobre o emprego tiveram em linhas de consideração os dados que publicadas por algumas instituições internacionais.

“Afinal, para que serve os trabalhos que os centros de investigação fazem? Nós investimos aqui muita capacidade. Chegamos ao fim e divulgamos os resultados, mas o sabor que nos fica da forma como esses trabalhos são utilizados é um sabor amargo”, acrescentou.

O investigador afirmou que, ainda que o Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola apresente soluções e políticas públicas, o que prevalece sempre são as opiniões estrangeiras, como do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

O que mostram os resultados do Censo 2024?

Angola conta agora com um total de 36,6 milhões de habitantes, sendo 17 931 985 homens a representar 49% da população total e 18 672 696 mulheres a representar 51%. Os dados constam dos resultados definitivos do Recenseamento Geral da População e Habitação de 2024, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O documento consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, aponta que nos últimos dez anos, a população residente em Angola aumentou de 25 789 024 de habitantes (Censo 2014) para 36 604 681 de habitantes (Censo 2024), o que corresponde a uma taxa de crescimento de 3,5%, neste período intercensitário.

Entretanto, do ponto de vista da área de residência, 23 991 388 habitantes, que correspondem a 65,5% da população total angolana residem na área urbana, enquanto 12 613 293 habitantes, que correspondem a 34,5% da população vivem na área rural. 4.

O INE explica que o índice de masculinidade (rácio homens/mulheres) é de 96%. Isto significa que existem 96 homens por cada 100 mulheres em Angola. As províncias da Lunda Norte e Cuando, apresentam os índices de masculinidade mais elevados com 106% e 104%, respectivamente, isto é, existem 106 homens por cada 100 mulheres na Lunda Norte e 104 homens por cada 100 mulheres no Cuando. As províncias com o índice de masculinidade mais baixo são as de Benguela e Cunene, onde existem 92 homens por cada 100 mulheres.

A população residente em Angola é maioritariamente jovem, com uma idade média fixada em 23 anos, sendo a idade média da população urbana estimada em 23 anos, e da população rural em 22 anos. Os resultados definitivos do Censo 2024 mostram que a província de Luanda continua a ser a mais populosa do país, com 8 816 297 habitantes, e a província do Cuando a menos populosa, com apenas 138 770 habitantes.

Os resultados do Censo 2024 mostram que Angola regista 9 110 616 agregados familiares. Na qual a maior parte dos chefes são homens. A maioria dos chefes do agregado familiar encontram-se em idade compreendida entre 25-34 anos (27%).

O território angolano possui uma extensão de 1 246 700 quilómetros quadrados, porém com uma densidade populacional de 29,4 habitantes por quilómetros quadrados. A província mais densamente povoada é Luanda com 5 349,3 habitantes por quilómetro quadrado, e a menos densamente povoada é o Cuando com 1,3 habitantes por quilómetro quadrado.

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