A Sonangol encerrou 2025 com um resultado líquido de 750 milhões de dólares, o que representa uma queda de 11% face aos 846 milhões de dólares registados no exercício anterior. A descida dos preços internacionais do crude e a contracção do volume de negócios marcaram o desempenho da petrolífera no ano em que celebra meio século de existência.
Os resultados preliminares foram apresentados em Luanda pelo presidente do conselho de administração da empresa, Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, durante uma conferência de imprensa sobre os 50 anos da companhia.
O volume de negócios fixou-se em 9,1 mil milhões de dólares, menos 13% em termos homólogos, enquanto o EBITDA (resultado antes de descontar os impostos] superou os 2,5 mil milhões de dólares, ainda assim abaixo dos 3,45 mil milhões alcançados em 2024. A trajectória descendente reflecte, em larga medida, o recuo de 14% no preço médio das ramas angolanas, que se situou nos 69,09 dólares por barril.
Em termos operacionais, a empresa comercializou 5,3 milhões de toneladas métricas e registou uma produção de 217 mil barris de petróleo equivalente por dia, correspondentes aos direitos líquidos. A Sonangol mantém presença em 41 concessões, operando directamente 11 blocos, com uma produção operada de 22 mil barris diários.
No plano das exportações, a China consolidou-se como principal destino do petróleo angolano, absorvendo 69% das vendas, seguida da Índia (10%). Canadá, Espanha e Países Baixos representaram 3% cada, confirmando a forte concentração asiática na carteira de clientes.
IPO mantém-se, mas fora do calendário do PROPRIV
Apesar da pressão sobre os resultados, a Sonangol reafirma a intenção de avançar para o mercado de capitais. Gaspar Martins garantiu que o programa de Oferta Pública Inicial (IPO) se mantém, ainda que fora do actual calendário do Programa de Privatizações (PROPRIV), cujo termo está previsto para 2026.
A empresa continua a prever a dispersão faseada de até 30% do capital social, mas admite que as condições estruturais e de mercado ainda não estão plenamente reunidas. “O que devemos ter presente é que, para que isto aconteça, há um conjunto de condições que devem ser materializadas”, referiu.
A decisão sinaliza prudência estratégica num contexto internacional marcado por volatilidade energética e ajustamentos macroeconómicos.
No capítulo internacional, a petrolífera reafirma a intenção de manter as participações estratégicas em Portugal, nomeadamente na Galp e no Banco Comercial Português (BCP). “Temos de manter um portfólio relativamente diversificado, que depois ajuda a lidar com os choques económicos”, justificou o administrador da empresa, Osvaldo Inácio.
Segundo o responsável, estes activos continuam alinhados com a estratégia de diversificação do portefólio e mitigação de riscos sectoriais. A Sonangol detém 19,49% do capital do BCP, sendo o segundo maior accionista da instituição. Na Galp, a posição é indirecta, através da Esperaza Holding, que participa na Amorim Energia, accionista de referência da petrolífera portuguesa.
Os dividendos gerados em 2024 reforçaram a relevância financeira destes investimentos, que funcionam como instrumento de equilíbrio face à exposição estrutural ao sector petrolífero.
Num ano simbólico para a companhia, os resultados de 2025 confirmam os desafios de uma indústria em transição, ao mesmo tempo que evidenciam a aposta da Sonangol na reconfiguração estratégica e na diversificação internacional como pilares da sua sustentabilidade futura.





