O primeiro transplante renal, está previsto previsto para ocorrer no Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto, na cidade da Praia. A intervenção assinala um avanço significativo na capacidade técnica e clínica do país, fruto de vários anos de preparação institucional, legal e médica.
A operação resulta de um processo progressivo que envolveu a criação de enquadramento legal, aprovado em 2023, a capacitação de profissionais de saúde, a aquisição de equipamentos especializados e o reforço da cooperação internacional, particularmente com Portugal.
De acordo com as autoridades de saúde, o país conta atualmente com cerca de uma dúzia de pacientes já avaliados e com condições clínicas para avançar para o transplante, sendo que a meta é atingir aproximadamente 20 intervenções ao longo de 2026.
Mais do que um avanço clínico, o início dos transplantes renais em Cabo Verde representa uma mudança estrutural na resposta aos doentes. Até aqui, muitos pacientes eram obrigados a recorrer a evacuações médicas para o exterior ou a tratamentos contínuos de hemodiálise, um processo exigente, caro e com impacto significativo na qualidade de vida.
Segundo o Governo, cada transplante bem-sucedido poderá reduzir substancialmente os custos associados à hemodiálise, estimando-se uma diminuição de cerca de 50% nos encargos com o tratamento a longo prazo.
Além do impacto económico, o novo quadro permitirá diminuir a dependência externa e evitar separações familiares prolongadas, reforçando a capacidade do país em oferecer soluções de saúde mais completas e próximas dos cidadãos.
O arranque deste tipo de cirurgia marca, assim, a entrada de Cabo Verde numa nova etapa da medicina moderna, consolidando o investimento feito nas últimas décadas no setor e posicionando o país para futuros avanços em áreas de maior complexidade clínica.





