Geocientista angolano defende rastreio nacional do gás radão para reforçar protecção da saúde pública

O geocientista angolano, Edson Baptista, defende a implementação de um programa nacional de rastreio radiológico natural, com foco na monitorização do gás radão, considerado internacionalmente um dos principais factores ambientais associados ao cancro do pulmão. A proposta visa reforçar as políticas de protecção da saúde pública, gestão ambiental e planeamento urbano, permitindo identificar as zonas…
ebenhack/AP
O radão resulta da decomposição natural de elementos radioativos presentes nas rochas e nos solos, podendo acumular-se em espaços fechados como residências, escolas, hospitais e locais de trabalho, onde a exposição prolongada representa riscos significativos para a saúde humana.
Life

O geocientista angolano, Edson Baptista, defende a implementação de um programa nacional de rastreio radiológico natural, com foco na monitorização do gás radão, considerado internacionalmente um dos principais factores ambientais associados ao cancro do pulmão.

A proposta visa reforçar as políticas de protecção da saúde pública, gestão ambiental e planeamento urbano, permitindo identificar as zonas do país com maior potencial de acumulação deste gás radioativo de origem natural. Além disso, segundo o especialista, o programa procura associar-se aos esforços do Executivo em prol da melhoria das condições dos serviços de saúde, trazendo conhecimento técnico para a prevenção de doenças relacionadas à exposição ao radão.

O radão resulta da decomposição natural de elementos radioativos presentes nas rochas e nos solos, podendo acumular-se em espaços fechados como residências, escolas, hospitais e locais de trabalho, onde a exposição prolongada representa riscos significativos para a saúde humana.

De acordo com a World Health Organization (OMS), o radão é considerado o segundo principal fator de risco para o cancro do pulmão, logo após o tabagismo, podendo estar associado a até 14% dos casos da doença a nível global.

Para o especialista, vários países já implementaram programas nacionais de monitorização do radão, com mapas radiológicos detalhados, legislação específica e sistemas de vigilância ambiental. Entre os exemplos mais avançados destacam-se os United States, United Kingdom e Germany, enquanto países como Spain, Italy, Portugal, China, India e Brazil têm programas em expansão.

Edson Baptista sublinhou que o conhecimento científico sobre a radioatividade natural constitui uma ferramenta essencial para a proteção da saúde pública e para o desenvolvimento sustentável, particularmente em países em desenvolvimento como Angola.

O investigador explicou que a implementação de um rastreio nacional permitirá mapear as zonas mais sensíveis à acumulação de radão, criando bases científicas para a definição de medidas de mitigação, normas de construção e estratégias de prevenção em edifícios públicos e privados. A iniciativa prevê igualmente a identificação e análise dos radioisótopos 222Rn (radão) e 220Rn (torão), indicadores fundamentais para compreender a dinâmica da radioatividade natural no território.

O especialista alertou que a maior parte da população não tem consciência dos riscos associados à acumulação deste gás em ambientes fechados, apesar de a sua inalação representar a principal fonte de exposição da população mundial à radiação ionizante de origem natural.

Segundo estimativas do United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic Radiation (UNSCEAR), os gases radioativos naturais, especialmente o radão, representam cerca de 50 a 55% da dose de radiação natural recebida pela população mundial, seguidos pela radiação terrestre (≈20%), pela radiação cósmica (≈10–15%) e pela radiação interna proveniente de alimentos e água (≈10–15%).

Para Edson Baptista, a implementação deste programa poderá posicionar Angola na linha da frente da investigação africana sobre radioatividade natural.

“Angola tem condições científicas e geológicas para se tornar o primeiro país africano a implementar um rastreio nacional integrado do radão e do torão, contribuindo simultaneamente para a proteção da saúde pública e para o avanço do conhecimento científico internacional.”

O investigador acrescentou que um programa desta natureza poderá produzir informação estratégica para os setores da saúde, ambiente, urbanismo e construção civil, além de reforçar a participação de Angola em redes científicas internacionais de monitorização radiológica.

Edson Santa Rosa Baptista é doutorado em Geociências, com especialização em radioatividade natural, pela University of Coimbra, em Portugal. Ele é um dos primeiros cientistas angolanos a publicar artigos científicos sobre radão (222Rn) e torão (220Rn) no contexto nacional, com trabalhos reconhecidos e indexados na United States National Library of Medicine (NCBI). Seus estudos pioneiros colocam Angola na vanguarda da investigação africana em radioatividade natural, abrindo caminho para programas nacionais de monitorização e proteção da saúde pública.

Mais Artigos