O Banco de Moçambique voltou a alertar, pela segunda vez este ano, que o endividamento público interno “continua a agravar-se”, após crescer, até ao momento para um ‘stock’ superior a 6.570 milhões de euros.
“O endividamento público interno continua a agravar-se, condicionando o funcionamento do mercado financeiro”, alerta o banco central na informação após a reunião da Comissão de Política Monetária (CPMO) do banco central, realizada Segunda-feira, em Maputo.
Na mesma posição alerta-se que a dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 487.300 milhões de meticais (6.573 milhões de euros), um aumento de 12.300 milhões de meticais (166 milhões de euros) em relação a Dezembro de 2025.
“Persistem atrasos no pagamento da dívida pública interna pelo Estado, com impacto na fraca apetência por títulos públicos e na rigidez das taxas de juros no mercado monetário interbancário”, aponta ainda o comunicado final do CPMO, que já na reunião anterior, em Janeiro, tinha feito alertas semelhantes.
Moçambique acumulava no final de 2025 atrasos no pagamento do serviço da dívida pública interna de quase 4.660 milhões de meticais (63,2 milhões de euros), por dificuldades de tesouraria, segundo informação oficial noticiada em 20 de março pela Lusa.
“A acumulação destes atrasados resultou principalmente de constrangimentos na mobilização de receitas, num contexto de desaceleração económica e pressão sobre a liquidez do Tesouro”, lê-se num relatório do Ministério das Finanças sobre a evolução da dívida pública de Moçambique em 2025, citado pela Lusa.
No documento não se adianta informação sobre a eventual posterior regularização desses atrasados, identificando apenas que desse total cerca de 2.515 milhões de meticais (34,1 milhões de euros) correspondiam então a capital e quase 2.145 milhões de meticais (29,1 milhões de euros) a juros.





