Angola defende reforma urgente da Organização Mundial do Comércio

Angola participa na XIV Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), onde defende a urgência da reforma da instituição num contexto de crescentes tensões geopolíticas e disrupções no comércio global. A delegação angolana, liderada pelo Ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, apelou à mobilização de consensos entre os 166 Estados-membros para…
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Delegação angolana, liderada pelo ministro da Indústria e Comércio, participa na XIV Conferência Ministerial da OMC com um apelo claro à aceleração das reformas, num momento em que o sistema multilateral de comércio enfrenta crescentes tensões e bloqueios negociais.
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Angola participa na XIV Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), onde defende a urgência da reforma da instituição num contexto de crescentes tensões geopolíticas e disrupções no comércio global.

A delegação angolana, liderada pelo Ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, apelou à mobilização de consensos entre os 166 Estados-membros para desbloquear um processo de reforma que permanece adiado há vários anos, comprometendo a eficácia do sistema multilateral de comércio.

O encontro, que decorre de 26 a 29 de Março, em Yaoundé, capital dos Camarões, reúne mais de 160 membros e centra-se em temas críticos como a reforma da OMC, o desenvolvimento inclusivo, o comércio agrícola, os serviços, o comércio digital e o reforço do apoio técnico aos países em desenvolvimento.

Na sua intervenção, Rui Miguêns de Oliveira sublinhou que o actual contexto internacional – marcado por tensões comerciais, fragmentação económica e desafios à globalização – exige uma abordagem concertada e pragmática. O governante destacou a importância do consenso como base do processo decisório da OMC, bem como o respeito pelas regras multilaterais estabelecidas.

Angola defende ainda a centralidade do desenvolvimento nas negociações, com especial ênfase na implementação efectiva do Tratamento Especial e Diferenciado, instrumento considerado essencial para garantir maior equilíbrio entre economias desenvolvidas e países em desenvolvimento.

Para além das sessões plenárias, a delegação angolana participa em reuniões estratégicas com blocos de influência dentro da organização, incluindo o Grupo Africano, o Grupo ACP e o Grupo dos Países Menos Avançados (PMA), onde procura alinhar posições e reforçar a capacidade negocial.

Em paralelo, estão previstos encontros bilaterais com países como França, Hungria, Moçambique e Omã, num esforço para aprofundar relações económicas e explorar oportunidades de cooperação comercial.

A conferência é considerada um momento crítico para o futuro do sistema multilateral de comércio, numa altura em que divergências entre grandes economias e mudanças nas cadeias globais de valor colocam pressão adicional sobre a relevância e eficácia da OMC.

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