Angola vai implementar, brevemente, o programa “Estatística Turismo” para informar, regularmente, o valor das receitas arrecadadas com a presença de cada turista no país, anunciou o ministro do Turismo, Márcio Daniel.
Durante a sua participação na 21ª edição do CaféCIPRA, Márcio Daniel disse que o Executivo quer atrair turistas, cujo gasto médio por viagem seja elevado.
“Isso é possível medir”, afirmou, adiantando que o objectivo é transformar o turismo de lazer mais rentável, com a aposta na atração de visitantes com maior poder de consumo.
De acordo o ministro, Angola recebeu 43.396 turistas de lazer em 2024 e 52.072 em 2025, o que representou um aumento de 20 por cento. A campanha “Visit Angola” alcançou mais de um bilião de pessoas em todo o mundo e é, actualmente, um dos maiores esforços de promoção turística já realizados pelo país.
A estratégia, explicou, tem sido baseada na forte presença de Angola em eventos internacionais, como a Feira de Turismo CMT Stuttgart, a Alemanha, a FITUR, em Madrid, na Espanha, e a Feira Internacional de Berlim (ITB Berlim).
O dirigente salientou que essas participações resultaram num alto nível de engajamento e alcance que permitem afirmar que Angola deixou de ser um destino desconhecido para ocupar a categoria de destino emergente.
Márcio Daniel deu a conhecer igualmente que Angola está a reforçar a sua presença nas principais plataformas internacionais de venda de pacotes turísticos, como estratégia de captação de receitas. Como exemplo, referiu que foi disponibilizado, recentemente, de um pacote turístico de alto padrão, avaliado em seis mil euros por pessoa, que registou a venda total de 52 unidades em apenas um mês.
“A partir de Outubro, vamos entrar para a Studiosus, que é uma grande plataforma de venda de pacotes turísticos. Isso é tudo receita que é arrecadada em moeda forte. É como se estivéssemos a vender barris de petróleo”, realçou.
Márcio Daniel falou das iniciativas em curso para intensificar a cooperação com países africanos no sector do Turismo, com destaque para a região transfronteiriça do Okavango-Zambeze, considerada uma das áreas mais atractivas do continente. Esta zona, que integra países como Namíbia, Zâmbia, Botswana e Zimbabwe, movimenta anualmente mais de 8 milhões de turistas.
A aposta de Angola, acrescentou, passa por desenvolver infra-estruturas no seu território, considerado ainda pouco explorado, mas com elevado potencial natural para atrair parte desse fluxo turístico regional.
Entre as medidas adotadas, o ministro do Turismo destacou a criação do “Casa Visa”, um visto único que permitirá aos turistas circular entre os países da região, bem como o desenvolvimento de uma marca turística conjunta para promoção internacional. Paralelamente, iniciativas práticas já começam a dar resultados, como a criação de pacotes turísticos integrados entre operadores angolanos e zambianos, incluindo rotas ferroviárias no corredor regional.





