Dívida interna em Moçambique triplica desde 2020

O stock da dívida pública moçambicana emitida internamente triplicou desde 2020, para os atuais 487.266 milhões de meticais (6.627 milhões de euros), valendo já quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB), perante alertas do banco central. “O endividamento público interno continua a deteriorar-se, influenciando negativamente o funcionamento do mercado financeiro”, avisa-se no relatório de Conjuntura…
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“O endividamento público interno continua a deteriorar-se, influenciando negativamente o funcionamento do mercado financeiro”, avisa-se no relatório de Conjuntura Económica e Perspectiva de Inflação, divulgado pelo Banco de Moçambique.
Economia

O stock da dívida pública moçambicana emitida internamente triplicou desde 2020, para os atuais 487.266 milhões de meticais (6.627 milhões de euros), valendo já quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB), perante alertas do banco central.

“O endividamento público interno continua a deteriorar-se, influenciando negativamente o funcionamento do mercado financeiro”, avisa-se no relatório de Conjuntura Económica e Perspectiva de Inflação, divulgado pelo Banco de Moçambique.

No documento, consultado pela Lusa, refere-se que o ‘stock’ total da dívida pública emitida internamente por Moçambique, entre Bilhetes do Tesouro (BT), Obrigações do Tesouro (OT) e adiantamentos ao Estado pelo banco central, ascendia a 155.973 milhões de meticais (2.121 milhões de euros) em dezembro de 2020, valendo então 14,7% do PIB.

Desde então, segundo os dados apresentados pelo Banco de Moçambique no relatório, a dívida pública interna não parou de subir, em ‘stock’ e no peso face ao PIB, até aos atuais 29,4%.

Além disso, alerta-se, “o atraso no cumprimento das obrigações associadas aos instrumentos de dívida pública interna pelo Estado, com destaque para as OT, tem contribuído para a redução da apetência por novos investimentos em títulos públicos, bem como para manutenção” da “rigidez” nas taxas de juro no mercado monetário interbancário.

Pelas emissões de BT o Estado pagou taxas de juro de 12,07%, 12,16% e 12,25% para maturidades, respetivamente, de 91, 182 e 364 dias, praticamente inalteradas no primeiro trimestre. “Esta rigidez nas taxas reflecte, fundamentalmente, a percepção de elevado risco fiscal por parte dos bancos comerciais”, lê-se no documento, citado pela Lusa.

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