Tempestades em Portugal travam produção avícola em Cabo Verde

A Sociedade Industrial de Produtos Avícolas (Sociave), maior produtora de ovos e carne de frango em Cabo Verde, anunciou a suspensão da sua produção até ao final de Abril, na sequência de constrangimentos na importação de ovos férteis a partir de Portugal, provocados por intempéries na região de Leiria. A interrupção expõe a elevada dependência…
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A suspensão da produção da Sociave, principal empresa avícola de Cabo Verde, está a revelar a vulnerabilidade estrutural do país a choques externos, depois de intempéries em Portugal terem interrompido o fornecimento de matéria-prima essencial.
Economia

A Sociedade Industrial de Produtos Avícolas (Sociave), maior produtora de ovos e carne de frango em Cabo Verde, anunciou a suspensão da sua produção até ao final de Abril, na sequência de constrangimentos na importação de ovos férteis a partir de Portugal, provocados por intempéries na região de Leiria.

A interrupção expõe a elevada dependência externa da cadeia de produção avícola cabo-verdiana, num momento em que eventos climáticos extremos começam a revelar impactos directos nos sistemas alimentares e nas cadeias logísticas entre a Europa e África.

Segundo o presidente do conselho de administração da Sociave, João Santos, as cheias registadas em Leiria inviabilizaram o fornecimento de ovos férteis – insumo essencial para a produção de frangos, posteriormente incubados na ilha de São Vicente.

“Com as cheias em Leiria, houve problemas no fornecimento e isso terá repercussões na nossa produção. Já dispomos de pintos com cerca de uma semana, o que nos permite assegurar a presença de frango no mercado até ao final do mês. Ainda assim, estimamos um período de aproximadamente três semanas com quebra na produção”, explicou.

Apesar do cenário, a empresa garante que o impacto no curto prazo será mitigado por reservas estratégicas. De acordo com informações avançadas pela Lusa, a Sociave colocou recentemente no mercado cerca de 40 mil ovos, quantidade considerada suficiente para estabilizar a oferta e evitar rupturas imediatas no abastecimento.

A gestão da empresa procura igualmente conter possíveis efeitos especulativos nos preços, num contexto em que o mercado já vinha a registar volatilidade. “Estamos a manter os consumidores informados para evitar comportamentos especulativos, até porque, há cerca de um mês, o ovo estava a ser comercializado a preços exorbitantes”, acrescentou João Santos.

Num país fortemente dependente de importações para garantir a segurança alimentar, o episódio reforça os desafios estruturais da produção local e a necessidade de diversificação de fornecedores e reforço da resiliência logística face a choques externos.

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