A Aliança Lusófona de Especialistas para a Doença Falciforme (Alua) apela a uma maior divulgação pública sobre a doença falciforme, com foco especial em Portugal, onde os casos têm aumentado, e na CPLP.
O médico Guilherme Queiroz, da Alua, disse que os números que foram publicados no ano passado dizem que uma em cada 1.000 crianças da região de Lisboa já nasce com a doença falciforme e duas em cada dois mil nascimentos no resto do país, no entanto, isto significa que não é uma doença rara.
“É uma doença cada vez mais frequente em Portugal, mas também em outros países, devido ao aumento das taxas de natalidade, por exemplo nos PALOP, [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa], e a que tem de se dar visibilidade para dar a melhor condição de vida às crianças e, felizmente, também a adultos”, salientou.
A doença não tem cura, mas segundo médico português, se as pessoas forem tratadas desde a primeira idade podem ter uma esperança média de vida semelhante à de um adulto normal.
Guilherme Queiroz, pesquisador do ISGlobal, da Universidade Pompeu Fabra (Barcelona) e do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra, explicou também que a Alua foi criada porque a doença falciforme é “muito negligenciada”.
“A famosa revista Lancet, há dois anos, publicou um artigo a dizer que era a doença global mais negligenciada”, salientou.
Segundo o médico, aquilo acontece, primeiro porque é uma doença genética e por isso não é contagiosa ou transmissível e depois porque é caraterística de uma população pouco visível, que é a “população afrodescendente ou africana”.
“Isto faz com que as políticas públicas dirigidas à doença falciforme, ainda que não seja neste momento uma doença rara, ainda que haja globalmente meio milhão de crianças a nascerem todos os anos com a doença, seja completamente insuficiente, quando comparadas a doenças que não têm este impacto”, disse.
A doença falciforme, que já pode ser detetada através do teste do pezinho, é uma doença de sangue, genética, que se carateriza por uma alteração ao glóbulo vermelho, que fica com a forma de uma foice, dificultando a circulação sanguínea e que provoca dores intensas, anemia e danos nos órgãos.
Originária do continente africano, a doença pode ser encontrada, diz a Lusa, no continente americano, principalmente no Brasil, na Índia e também na Europa.





