As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) moçambicanas dispararam em Fevereiro, para um novo recorde, de 4.258 milhões de dólares, antes de o Governo as usar, em março, para liquidar a dívida ao FMI.
Estas reservas – divisas, em moeda estrangeira, necessárias à importação de bens e serviços – tinham subido 1% durante o mês de Setembro, segundo dados um relatório estatístico do Banco Moçambique, para 3.937 milhões de dólares, tal como em Outubro, após o máximo anterior, de 4.035 milhões de dólares, em Agosto.
De Dezembro para Janeiro subiram mais quase 1%, conforme o histórico do relatório, garantindo mais de quatro meses de necessidades de importações de bens e serviços, e novamente em Fevereiro, para um novo máximo.
Contudo, face às queixas de falta de divisas na banca por parte dos empresários, fonte do Governo moçambicano já admitiu estar em estudo a possibilidade de baixar esse nível de reservas.
É que apesar deste volume de reservas, os empresários queixam-se de falta de acesso a divisas, que necessitam para importação de bens, conforme apontou ainda em novembro o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Álvaro Massingue.
“A escassez de divisas é hoje uma emergência económica. Sem moeda externa, as empresas não importam matérias-primas, não cumprem contratos e não crescem. O Estado deve garantir prioridade no acesso a divisas para empresas produtoras e exportadoras e criar incentivos para quem exporta e substituir as importações”, disse Massingue.
A ministra das Finanças moçambicana disse na Terça-feira que o Governo pagou o total da dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI) com as reservas internacionais, garantindo que a decisão não compromete as instituições do Estado.
“Nós pagamos o serviço da dívida que temos com o FMI com recurso a RIL do país. Então, são reservas que já dispõem ou que estão disponíveis a nível das instituições financeiras internacionais”, explicou a ministra das Finanças, Carla Loveira, citada pela Lusa.





