O moçambicano Jeremias Francisco Jeremias e a portuguesa Mafalda Cordeiro foram os vencedores da edição de 2026 do Programa de Intercâmbio Literário, reforçando a cooperação cultural entre Moçambique e Portugal e a aposta na internacionalização da literatura lusófona.
No âmbito do programa, Jeremias estará em residência em Lisboa durante o mês de Maio, enquanto Mafalda Cordeiro desenvolverá a sua residência em Maputo, em Outubro, promovendo um intercâmbio criativo entre os dois contextos culturais.
A decisão foi tomada por unanimidade por um júri que integrou Paula Cardoso, bem como representantes institucionais ligados à cultura e à diplomacia, que destacaram a qualidade das propostas e o alinhamento com os objectivos estratégicos do programa. Segundo a organização, os projectos apresentados evidenciam não apenas mérito literário, mas também potencial de impacto nas trajectórias artísticas dos autores e na dinamização dos ecossistemas culturais em que se inserem.
O programa, resultado de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, através do Centro Cultural Português em Maputo, tem vindo a afirmar-se como uma plataforma relevante de mobilidade artística, promovendo o diálogo entre escritores e incentivando a criação literária em língua portuguesa.
A distinção insere Jeremias Francisco Jeremias numa trajectória ascendente no panorama literário moçambicano. Autor de obras como Locus|Copus (2024) e Rostos desabitados [e] Fragmentos do escuro (2023), o escritor já foi reconhecido em prémios nacionais e internacionais, consolidando-se como uma das vozes emergentes da nova literatura do país.
Por sua vez, Mafalda Cordeiro, com uma carreira consolidada na literatura infantojuvenil, é autora de mais de uma dezena de obras, incluindo Política para Crianças, integrada no Plano Nacional de Leitura em Portugal, posicionando-se como uma referência na escrita pedagógica e de formação cívica para jovens leitores.
Num contexto em que as indústrias culturais ganham crescente relevância económica e simbólica, iniciativas como este intercâmbio literário reforçam o papel da cultura como instrumento de soft power e de aproximação entre mercados lusófonos.





