Moçambique tem anualmente perdas económicas avaliadas em 156 milhões de euros, equivalentes a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB), decorrentes do consumo do tabaco.
Os números, segundo a Lusa, constam da fundamentação da proposta de lei que estabelece o quadro legal para o controlo de tabaco e seus derivados, em debate nesta Quarta-feira, 08, no parlamento moçambicano, onde se refere que o consumo de tabaco mata anualmente 9.400 moçambicanos, representando 3,5% do global das mortes no país, das quais 73% em menores de 70 anos, sendo que 14% são fumadores passivos.
As perdas económicas anuais referidas são de 12 milhões de euros decorrentes de despesas associadas à saúde e 144 milhões de euros são perdas indirectas devido às mortes prematuras, doenças e por fumar no local de trabalho, conforme adianta a proposta, que cita dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). “A prevalência do tabagismo em Moçambique aumenta com a idade”, lê-se no documento, sendo que dos 15 a 24 anos é de 2,8%, em comparação com os 16,1% na faixa etária entre 45 e 64 anos.
“A redução de formas de consumo de tabaco entre jovens adultos pode significar uma mudança para o uso de tabaco sem fumo. Entretanto, estudos apontam para um risco de saúde associado ao tabaco sem fumo igual e em alguns casos superior ao tabaco com fumo, nomeadamente cancro de boca, língua, esófago e pâncreas, problemas como doenças das gengivas e desgaste dos dentes, aumento da pressão arterial, risco de doenças respiratórias e cardíacas”, alerta-se ainda na fundamentação da proposta.
O Governo, através do ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize defendeu no parlamento, a aprovação deste dispositivo legal, afirmando que vai ajudar a controlar o consumo e reduzir danos sociais.
“A redução da prevalência do consumo do tabaco em 64% ao longo de 15 anos pode contribuir para salvar 53.400 vidas, cerca de 3.600 vidas anualmente. Nos benefícios económicos, pode evitar 35% das perdas económicas que se espera que venham a ocorrer pelo consumo de tabaco nos próximos 15 anos”, disse o ministro da Justiça.





