FMI alerta: guerra no Médio Oriente ameaça economia de São Tomé e Príncipe

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a escalada da guerra no Médio Oriente poderá comprometer o crescimento económico e pressionar a inflação em São Tomé e Príncipe, colocando em risco os avanços do programa de ajustamento em curso no arquipélago. De acordo com a instituição, o aumento dos preços globais dos combustíveis e dos…
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Dependente de importações energéticas, arquipélago enfrenta novos riscos externos que ameaçam os avanços do programa de ajustamento. Volatilidade dos preços globais pode atrasar reformas e pressionar ainda mais a economia são-tomense.
Economia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a escalada da guerra no Médio Oriente poderá comprometer o crescimento económico e pressionar a inflação em São Tomé e Príncipe, colocando em risco os avanços do programa de ajustamento em curso no arquipélago.

De acordo com a instituição, o aumento dos preços globais dos combustíveis e dos alimentos está a agravar os custos internos e a dificultar a implementação de reformas estruturais, num contexto em que o país permanece altamente dependente de importações energéticas. O FMI defende, por isso, a aceleração da transição energética como medida crítica para mitigar vulnerabilidades externas.

O aviso surge no âmbito da terceira avaliação do programa apoiado pela Facilidade de Crédito Alargado (ECF), aprovado em Dezembro de 2024, e que continua a ser um dos principais instrumentos de estabilização macroeconómica e de mobilização de financiamento externo para o país.

Apesar das pressões, o FMI sublinha que as autoridades são-tomenses mantêm o compromisso com os objectivos do programa, estando previstas novas rondas de negociações em Washington, durante e após as reuniões de Primavera da instituição.

Uma missão técnica do FMI, liderada por Slavi Slavov, esteve em São Tomé entre 26 de Março e 8 de Abril de 2026 para avaliar o progresso das reformas. O responsável destacou que, embora a economia tenha demonstrado alguma resiliência, persistem constrangimentos estruturais significativos.

Entre os principais desafios, destacam-se os cortes recorrentes de electricidade e os atrasos na transição energética, factores que limitam a actividade económica e agravam o ambiente de negócios. A conjuntura internacional, marcada pela volatilidade dos preços do petróleo, continua igualmente a ensombrar as perspectivas de crescimento.

A inflação, apesar de ter registado uma desaceleração recente, permanece em níveis elevados e exposta a novos choques externos, sobretudo num cenário de agravamento das tensões geopolíticas.

Ainda assim, o FMI considera que o programa em curso continua a ser determinante para reforçar a estabilidade macroeconómica, impulsionar reformas estruturais e atrair o apoio de parceiros internacionais.

O pacote financeiro associado ao programa, inicialmente fixado em cerca de 21,5 milhões de euros, foi revisto em alta para mais de 25 milhões de euros em Dezembro último, tendo igualmente sido prolongado até meados de 2028, um sinal da necessidade de maior fôlego financeiro e temporal para sustentar o processo de ajustamento.

Num quadro de elevada exposição a choques externos, a trajectória económica de São Tomé e Príncipe continuará, assim, fortemente condicionada pela evolução dos mercados energéticos globais e pela capacidade interna de reforamas estruturais críticas.

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