O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças de Cabo Verde, Olavo Correia, defende que financiamento climático deve ser também uma oportunidade para desenvolver os nossos mercados financeiros e fortalecer o investimento doméstico.
Olavo Correia falava na 15º Encontro Ministerial da Coligação de Ministros das Finanças para a Ação Climática – no âmbito das Reuniões de Primavera do Banco Mundial (BM) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
“O clima deixou de ser apenas um desafio ambiental. Hoje, é uma questão de competitividade económica. Os países que conseguirem alinhar as suas políticas fiscais, os seus investimentos e o seu sector privado com esta transição terão vantagens claras na atracção de capital, na criação de emprego e na diversificação das suas economias”, disse.
Os que não o fizerem, segundo entende, enfrentarão custos mais elevados, menor resiliência e perda de competitividade.
“Por isso, a mensagem é clara: o clima não é apenas um risco, é uma oportunidade. E apenas os países que souberem aproveitar essa oportunidade conseguirão prosperar no futuro. Finalmente, esta discussão é essencial e deve continuar. Nenhum país tem todas as respostas, mas todos temos experiências relevantes”, referiu.
Olavo Correia considera que “precisamos aprender com os casos de sucesso, partilhar soluções inovadoras e construir abordagens comuns. As alterações climáticas afectam todos nós, em diferentes intensidades, mas com impactos sistémicos. Devemos, portanto, tratá-las como um desafio coletivo, que exige cooperação, coordenação e acção conjunta”.
Para o ministro cabo-verdiano, as alterações climáticas já não são um risco distante nem um evento isolado, pois fazem hoje parte do quotidiano das economias, influenciando decisões fiscais, prioridades de investimento, sustentabilidade da dívida e estabilidade macroeconómica.

“Secas prolongadas, eventos extremos, pressão sobre infraestruturas e impactos na produção agrícola já estão a afecytar o crescimento, a arrecadação fiscal e a despesa pública. Por isso, a ação climática não pode continuar a ser tratada como uma política setorial, deve ser incorporada no centro das decisões de política pública e na arquitectura da política macroeconómica”, sustentou.
Apontou que esta nova realidade deve também a mudar a forma como são pensadas as políticas públicas, acrescentando que as alterações climáticas devem ser vistas como um catalisador para reformar a acção governativa, tornando-a mais resiliente, mais eficiente e mais orientada para o futuro.
“Quando integramos o risco climático no planeamento orçamental, quando priorizamos infraestruturas resilientes, quando incentivamos energias limpas e cadeias de valor sustentáveis, não estamos apenas a proteger as nossas economias, estamos a torná-las mais competitivas e preparadas para os desafios estruturais do século XXI.
Hoje, a agenda climática representa uma das maiores oportunidades de transformação económica”, frisou. O ministro das Finanças de Cabo Verde defendeu ainda que a transição energética, a economia azul sustentável, a agricultura inteligente face ao clima, as infra-estruturas resilientes e a digitalização verde estão a abrir espaço para investimento privado, inovação e criação de empregos verdes e sustentáveis.
“Estes sectores não são apenas essenciais para reduzir riscos climáticos; são também motores de crescimento, diversificação produtiva e competitividade internacional.
No entanto, para capturar estas oportunidades, precisamos também de repensar a forma como financiamos a acção climática. Não podemos continuar a olhar apenas para os parceiros externos como a principal fonte de financiamento. Temos de ser mais criativos, mais estratégicos e mais endógenos na mobilização de recursos. Isso implica desenvolver instrumentos financeiros inovadores, mobilizar poupança doméstica, criar mecanismos de partilha de risco e estruturar projectos que permitam a participação do sector privado nacional”, afirmou.





