Países lusófonos entre os bons exemplos dos locais designados pela UNESCO

Os países de língua oficial portuguesa estão entre os bons exemplos de nações que têm locais designados pela UNESCO que são "refúgios vitais para a biodiversidade", segundo um dos coautores do relatório da organização publicado. Carvalho Resende, um dos coautores principais do relatório da UNESCO intitulado "Pessoas e natureza em locais designados pela UNESCO: contribuições…
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O relatório da UNESCO apresenta a primeira avaliação global de mais de 2.260 Sítios do Património Mundial, Reservas da Biosfera e Geoparques Globais.
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Os países de língua oficial portuguesa estão entre os bons exemplos de nações que têm locais designados pela UNESCO que são “refúgios vitais para a biodiversidade”, segundo um dos coautores do relatório da organização publicado.

Carvalho Resende, um dos coautores principais do relatório da UNESCO intitulado “Pessoas e natureza em locais designados pela UNESCO: contribuições globais e locais”, revela que as ilhas dos Bijagós, na Guiné-Bissau, que foram elevadas a Património Mundial Natural em 13 julho de 2025, tornando-se no primeiro local do país africano a integrar a lista da UNESCO, “são um sítio excecional” no qual, por exemplo, também existe uma relação extremamente forte com as populações locais, que têm protegido sempre o ambiente.

O relatório da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), divulgado, apresenta a primeira avaliação global de mais de 2.260 Sítios do Património Mundial, Reservas da Biosfera e Geoparques Globais — “uma rede que cobre uma área maior que China e Índia juntas e que apoia cerca de 10% da população mundial em mais de 175 países”, lê-se no relatório.

No relatório, que mede o valor global e as contribuições dos sítios da UNESCO, revela-se, segundo a organização, o que se pode perder “se não lhes for dada prioridade”.

Uma das principais conclusões do relatório é que, “embora as populações de animais selvagens tenham diminuído 73% em todo o mundo desde 1970, aquelas que vivem nas áreas protegidas pela UNESCO permaneceram comparativamente estáveis” e, “nesses sítios, foram registadas mais de mil línguas, e a área de um quarto deles coincide com territórios de povos indígenas”.

“É um apelo urgente para ampliar o nível de ambição e reconhecer os sítios da UNESCO como ativos estratégicos para fazer face às alterações climáticas, à perda de biodiversidade e para investir agora na proteção dos ecossistemas, das culturas e dos modos de vida para as gerações futuras”, declarou, em comunicado, o diretor-geral da UNESCO, Khaled El-Enany.

Por outro lado, e como Resende explica, “o grande destaque [deste estudo], que é bastante encorajador, é que, apesar da intensificação das pressões ambientais em todo o mundo”, os locais designados pela UNESCO mostraram-se extremamente resilientes.

Entre eles, Resende, cita a inscrição em Moçambique do Parque Nacional de Maputo como extensão do parque de Iangalço na África do Sul “o que mostra, por exemplo, que esses locais da UNESCO também são sítios para a promoção da paz”. Com a mesma lógica, o autor refere também Angola no processo da extensão do Delta do Okavango.

Resende, um dos coautores principais juntamente com Martin Delaroche do relatório, explica que toda a questão de sítios transfronteiriços é extremamente importante também porque a natureza não conhece fronteiras.

Outro país referido é o Brasil, onde segundo Resende, existe um sítio na Amazónia onde é notável a relação com os povos indígenas. “Este relatório permitiu ver que 1/4 do sítios da UNESCO está em territórios de povos indígenas e, no caso da América Latina, esse número chega a 50 por cento”.

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