China abre mercado a África com tarifa zero em todos os produtos importados

A China vai eliminar, a partir de 1 de Maio, as tarifas sobre todos os produtos importados de 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, numa decisão que reforça a sua estratégia de aprofundamento económico com o continente e amplia o acesso preferencial de exportações africanas ao maior mercado consumidor do mundo. A…
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Num momento de reconfiguração do comércio internacional, Pequim dá um novo passo na aproximação a África ao abrir totalmente o seu mercado a exportações de dezenas de países do continente.
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A China vai eliminar, a partir de 1 de Maio, as tarifas sobre todos os produtos importados de 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, numa decisão que reforça a sua estratégia de aprofundamento económico com o continente e amplia o acesso preferencial de exportações africanas ao maior mercado consumidor do mundo.

A medida representa um passo adicional na política comercial de Pequim de abertura selectiva ao Sul Global, num contexto marcado pelo recrudescimento do proteccionismo à escala global. Ao remover barreiras tarifárias de forma abrangente, o “gigante asiático” procura não apenas estimular o comércio bilateral, mas também consolidar cadeias de abastecimento mais resilientes e diversificadas, com maior integração africana.

A iniciativa expande uma política adoptada em Dezembro de 2024, que concedeu tratamento tarifário zero aos países menos desenvolvidos, incluindo 33 nações africanas, passando agora a abranger todos os parceiros diplomáticos no continente. A decisão coincide com o 70.º aniversário das relações sino-africanas, assinalado em 2026, reforçando o simbolismo político e económico do anúncio.

O Presidente Xi Jinping havia proposto, pela primeira vez, a implementação de isenções tarifárias abrangentes durante um fórum realizado em Junho de 2025, defendendo a criação de novos modelos de parceria económica orientados para o desenvolvimento partilhado.

Segundo o Ministério do Comércio chinês, Pequim deverá negociar acordos de parceria económica com os países africanos, com enfoque na facilitação do comércio, promoção do crescimento inclusivo e reforço da resiliência das cadeias de abastecimento, em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Apesar do potencial transformador da medida, analistas sublinham que o seu impacto dependerá da capacidade dos países africanos de diversificarem as suas exportações e aumentarem o valor acrescentado dos produtos enviados para a China, num relacionamento comercial ainda fortemente dominado por matérias-primas.

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