O Papa Leão XIV considerou, no seu primeiro discurso na Guiné Equatorial, que, “num mundo ferido pela prepotência”, é necessário valorizar “aqueles que acreditam na paz” e aplicar políticas que “vão contra a corrente”.
Após visitar a Argélia, os Camarões e Angola, o primeiro ato do Papa na Guiné Equatorial foi uma reunião com o chefe de Estado, Teodoro Obiang Nguema.
Obiang, no poder desde 1979, foi precisamente o mesmo Presidente que, em 1982, deu as boas-vindas a João Paulo II, que tinha sido, até então, o último chefe da Igreja Católica a visitar esta nação africana.
No palácio presidencial e perante Obiang, o Papa fez suas as palavras de João Paulo II quando, há 44 anos, pediu “respeito e promoção dos direitos de cada pessoa ou grupo, e melhores condições de vida”.
“São palavras que continuam atuais e que interpelam qualquer pessoa que ocupe um cargo público”, declarou perante o Presidente guineense, a quem muitas organizações humanitárias acusam de governar com mão de ferro e de reprimir sistematicamente qualquer tentativa de oposição democrática.
Leão XIV também defendeu que a Igreja pode intervir nas questões sociais. “A doutrina social da Igreja representa uma ajuda para qualquer pessoa que deseje enfrentar as coisas novas que desestabilizam o planeta e a convivência humana, procurando acima de tudo o Reino de Deus e a sua justiça”, afirmou.
Por outro lado, lamentou que “a falta de terra, alimentos, habitação e trabalho digno coexista com o acesso às novas tecnologias que se difundem por toda a parte através dos mercados globalizados”.
Por fim, diz a Lusa, o Papa pediu que esta nação, membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), “não hesite em rever as suas próprias trajectórias de desenvolvimento e as oportunidades positivas de se situar na cena internacional ao serviço do direito e da justiça”.





