A política moçambicana e activista dos direitos humanos, Graça Machel, foi distinguida, esta Sexta-feira, 24, em Luanda, com o Prémio Individualidade Lusófona 2026.
Para além da cerimónia de homenagem, a agenda da líder moçambicana em Angola inclui uma série de encontros institucionais e momentos de networking estratégico.
O objectivo é reforçar parcerias e identificar oportunidades de colaboração para a FDC (Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade) e para o The Graça Machel Trust que tem desenvolvido iniciativas nas áreas da educação, nutrição, empoderamento feminino e inclusão social em vários países africanos.
A distinção de Graça Machel sublinha o papel da liderança com propósito e o contributo de figuras que têm influenciado políticas públicas e mobilizado diferentes setores em torno da transformação social.
Nascida como Graça Simbini, é destacada líder política e ativista dos direitos humanos. Originária de uma comunidade nas proximidades da atual capital de Moçambique, em uma família metodista, filha de um operário das minas da África do Sul.
Em 1968 atuou na Casa dos Estudantes do Império e em 1973, na luta anti-colonial, quando conheceu Samora Machel, com quem viria a se casar em 1975, e do qual tem dois filhos. Obteve bacharelado em filologia, com especialização em língua alemã pela Universidade de Lisboa.
Foi Ministra da Educação de seu país durante cerca de quatorze anos, e após a morte do marido (1986) continuou sua atividade política na Frente de Libertação de Moçambique – Frelimo, criou a organização sem fins lucrativos Fundação para o Desenvolvimento Comunitário – FDC, que trabalha para facilitar o acesso da comunidade a conhecimentos e tecnologia para fomentar o desenvolvimento sustentável.
Em 1988 foi indicada como presidenta da UNESCO em Moçambique, e delegada da UNICF, o que a levou a realizar uma avaliação do impacto dos conflitos armados sobre a infância e uma série de trabalhos voltados para o desenvolvimento social, que lhe renderam em 1998 a atribuição do prêmio Norte-Sul.
Além disso ela também protestou contra práticas tradicionais africanas que subjugam mulheres e atrapalham seu desenvolvimento enquanto comunidade.
Graça e Nelson Mandela revelaram publicamente seu relacionamento em 1996 e se casaram em 1998. Manteve seu nome e sua residência em Maputo, dividindo seus tempo entre os dois países. Na primeira década do século XXI, a activista passou bastante tempo com seu marido na África do Sul, até à sua morte.





