Filme “ELAV” transforma talento jovem em ferramenta de inclusão e impacto social

O filme ELAV, realizado por Micaela Reis, afirma-se como um exemplo concreto de como a indústria criativa pode funcionar como instrumento de inclusão social, capacitação e desenvolvimento de talento, ao nascer de um projecto comunitário que envolveu jovens em risco num processo real de produção cinematográfica. Desenvolvido no âmbito do programa “Tens Talento 2”, promovido…
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Com estreia esgotada, o projecto liderado por Micaela Reis reforça o papel da cultura como motor de desenvolvimento. Mais do que um filme, “ELAV” posiciona-se como um modelo de capacitação através das indústrias criativas.
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O filme ELAV, realizado por Micaela Reis, afirma-se como um exemplo concreto de como a indústria criativa pode funcionar como instrumento de inclusão social, capacitação e desenvolvimento de talento, ao nascer de um projecto comunitário que envolveu jovens em risco num processo real de produção cinematográfica.

Desenvolvido no âmbito do programa “Tens Talento 2”, promovido pelo Centro de Experimentação Artística (CEA), em Portugal, o projecto alia cultura e impacto social, num momento em que as economias criativas ganham relevância crescente enquanto motores de desenvolvimento.

Com produção executiva assegurada pelo CEA, ACIC, Mitó Productions e Young Max, ELAV foi concebido no Município da Moita, num contexto multicultural que serviu de base à descoberta e integração de novos talentos. Mais do que um produto artístico, o filme posiciona-se como um modelo replicável de intervenção social através da cultura, alinhado com iniciativas financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no quadro do programa Comunidades em Acção.

O projecto envolveu jovens em todas as fases de produção, desde castings abertos até à participação activa nas equipas técnicas e criativas, proporcionando uma experiência prática em ambiente profissional. Esta abordagem permitiu não só a aquisição de competências técnicas, mas também o reforço da autoconfiança e da capacidade de integração em contextos exigentes.

A direcção de produção esteve a cargo de Abílio Marcos e José Sebastião (CEA), Micaela Reis e José Martins (ACIC), enquanto a direcção de fotografia foi assinada por Guilherme Oliveira, integrando uma equipa multidisciplinar que assegurou padrões técnicos alinhados com o sector audiovisual.

Quando Alicia, filha de um antigo campeão de artes marciais, é raptada, o passado regressa com força. (Foto: DR)

A primeira exibição decorreu no CEA, no Vale da Amoreira, com ante-estreia a 23 de Abril e estreia oficial a 25 de Abril, ambas com lotação esgotada, um indicador da receptividade local e da capacidade de mobilização do projecto. O momento assinala também a crescente valorização de iniciativas culturais com impacto territorial.

O elenco integra nomes com trajectórias consolidadas no panorama nacional e internacional, como Silk Nobre, Nádia Silva, Erica Chissapa, Marcello Rosa, Nuno Neves (Lucky Luke), Victoria Esquivel e Miguel Pedroto, que desempenharam um papel relevante na orientação dos jovens e na aproximação a um contexto real de produção cinematográfica.

Micaela Reis, formada pela New York Film Academy e mestre pela Nova SBE, tem vindo a consolidar um percurso assente na intersecção entre cinema, empreendedorismo e impacto social. Fundadora da ACIC e criadora do projecto SERU, já soma distinções internacionais com o filme Joia, reforçando o seu posicionamento como uma das vozes emergentes na produção audiovisual com propósito.

Com ligações a Portugal e Angola, ELAV reflecte uma visão estratégica da cultura como plataforma de ligação no espaço lusófono, promovendo não apenas a criação artística, mas também a geração de oportunidades e o fortalecimento de identidades partilhadas.

O enredo é sobre um grupo de jovens artistas mergulha num ambiente de tensão e incerteza, sem perceber que está a ser manipulado por uma rede criminosa que explora os mais vulneráveis. Quando Alicia, filha de um antigo campeão de artes marciais, é raptada, o passado regressa com força.

Forçado a confrontar memórias que tentou apagar, o pai entra numa corrida contra o tempo para a salvar, enfrentando um “inimigo implacável” numa luta onde cada decisão pode ser fatal.

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