O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu reduzir a Taxa BNA de 17,5% para 17,0%, a taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 18,5% para 18,0% e reduzir a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 16,5% para 16,0%.
A decisão da redução das taxas de política, segundo uma nota do BNA, fundamenta-se nos ganhos observados na trajectória da inflação, bem como na perspectiva da sua evolução no curto prazo.
A persistência das tensões geopolíticas, em particular no Médio Oriente, de acordo com o banco central, continua a agravar a volatilidade nos mercados financeiros e das commodities, deteriorando as perspectivas de crescimento económico mundial para 2026, bem como as expectativas de inflação.
Neste contexto, o Fundo Monetário Internacional (FMI), em Abril de 2026, reviu em baixa a taxa de crescimento da economia mundial para 3,1%, face aos 3,3% projectados em Janeiro.
No mercado das commodities energéticas, o preço do barril de petróleo situou-se acima dos 100,00 dólares nos meses de Março e Abril, em consequência da guerra no Golfo Pérsico, o que tem causado o aumento de preços dos produtos derivados de petróleo e, consequentemente, a subida de preços dos bens alimentares.
A taxa de inflação mensal foi de 0,58% em Abril de 2026, face a 0,55% registado em Março, reflectindo o aumento da contribuição da classe de Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas.
A taxa de inflação homóloga manteve a trajectória descendente, tendo-se situado em 11,58% em Abril, face aos 12,42% do mês anterior.
A desaceleração da inflação homóloga foi registada em todas as províncias do País, com destaque para o referencial de um dígito, no Cunene, Huambo, Lunda Norte e Namibe, cujas taxas fixaram-se em 8,56%, 8,78%, 9,26% e 9,83%, respectivamente.
No domínio monetário, a Base Monetária, em moeda nacional, expandiu 4,74% em Março e 2,98% em Abril, elevando a variação homóloga para 8,14%. Esse crescimento resultou, sobretudo, da regularização dos atrasados às empresas efectuada pelo Tesouro Nacional.
Consequentemente, a liquidez do sistema bancário registou um crescimento de 60,91% no mês de Abril, face ao aumento de 13,06% observado no mês de Março, tendo as reservas livres, à disposição dos bancos, atingido os 270,87 mil milhões de kwanzas. Não obstante o aumento da liquidez bancária, as perspectivas de inflação mantêm-se moderadas, reflectindo a actual dinâmica dos preços e a postura prudente da política monetária.
O Agregado Monetário M2, em moeda nacional, registou uma expansão de 4,75% em Março e de 8,25% em Abril, elevando a variação acumulada para 13,47% e a homóloga para 28,56%.
O stock de crédito à economia, em moeda nacional, atingiu 7,30 biliões de kwanzas em Abril de 2026, representando uma expansão de 1,24%, ou seja, 89,75 mil milhões de kwanzas em termos absolutos, face à contracção de 0,31% observada em Março. Em termos homólogos, registou-se uma expansão de 15,12%.
No sector externo, o saldo acumulado da conta de bens, até ao mês de Abril, foi de 6,97 mil milhões de dólares, face aos 5,53 mil milhões de dólares do mesmo período de 2025, representando um aumento de 1,44 mil milhões de dólares, resultante do aumento do valor das exportações em 1,64 mil milhões de dólares, face ao aumento das importações em 192,04 milhões dólares.
O desempenho das exportações resultou da melhoria dos termos de troca, decorrente da subida do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais nos meses de Março e Abril. O incremento do valor das exportações de petróleo bruto em 1,81 mil milhões de dólares atenuou o impacto da contracção das exportações de diamantes e gás nas exportações totais.
O aumento das importações foi influenciado, essencialmente, pelo acréscimo do valor das importações de combustíveis em 39,51%.
O stock das Reservas Internacionais fixou-se em 15,82 mil milhões de dólares em Abril, o que representa um grau de cobertura de 7,52 meses de importação de bens e serviços.
Com base no exposto, particularmente no que se refere à trajectória recente da inflação, e não se vislumbrando pressões inflacionistas preocupantes nos próximos meses, o CPM reviu em baixa a projecção da taxa de inflação para 11,5% em 2026, mantendo, no entanto, a previsão de crescimento do PIB em 3,5%.





