A Associação dos Profissionais de Saúde moçambicana denunciou nesta Segunda-feira, 18, a morte de 2.673 pessoas de Janeiro até Maio nos hospitais do país por falta de material hospitalar básico.
“APSUSM denuncia que desde Janeiro de 2026 registamos 2.673 mortes evitáveis por doenças que em qualquer outro país seriam tratadas no centro de saúde de uma aldeia. Quem responde por estas vidas? Quem vai restituir estas famílias? O silêncio do Governo é a resposta”, afirmou o dirigente da organização, Anselmo Muchave, em conferência de imprensa.
Segundo a Associação, a situação no sector da saúde não é das melhores, pois os profissionais da área consideram que trabalham em condições “criminosas” para acolher os pacientes moçambicanos.
“Há moçambicanos a morrer nas unidades sanitárias por falta do básico como soro, luvas, antibiótico, gaze, anestésico. Morrem em silêncio, sem oxigénio, sem analgésico, sem dignidade. As consequências são reais e criminosas, hospitais sem comida, pacientes a dormirem no chão e sem lençóis, crianças em UCI sem aquecedores, massacre silencioso nas unidades sanitárias”, reafirma a organização.
Anselmo Muchave garantiu que a luta pelos direitos da classe e dos utentes das unidades sanitárias vai continuar e exige a demissão do ministro da saúde Ussene Isse. No entanto, salientou que grande parte dos fármacos enviados para as províncias está no limite da validade ou já expirou, assegurando que existem medicamentos fora do prazo desde 2024 guardados nos armazéns, enquanto o Executivo continua a canalizar fundos para o pagamento de empresas privadas do sector.
No entanto, esta tomada de posição agrava significativamente a tensão entre os profissionais de saúde e o Executivo moçambicano, numa altura em que a pressão pública aumenta e a sociedade civil exige uma reestruturação profunda e urgente na liderança de um dos sectores mais vitais do país.
Desde 16 de Janeiro que a APSUSM tem convocado paralisações de 30 dias, sucessivamente renovados, mas cujos efeitos não são claros, com o Governo a garantir desconhecer o impacto da greve nas unidades sanitárias.





