Cerca de 3.000 trabalhadores de empresas fornecedoras da Mozal, maior indústria moçambicana e encerrada desde Março, continuam sem receber indemnizações, avançou esta Terça-feira, 19, o sindicato que está a intermediar as negociações, tentando evitar conflitos.
“É preciso sublinhar aqui que, neste horizonte de 20 empresas [fornecedoras da Mozal], algumas já cumpriram e já pagaram. Portanto, podemos estar aqui a falar por aí de 3.000 trabalhadores que estejam ainda em causa”, disse o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e Energia (Sintime), Américo Macamo.
Em causa está o encerramento em 15 de Março das actividades na Mozal, instalada nos arredores de Maputo e uma das maiores fundições em África – com mais de 1.000 trabalhadores directos e 4.000 indirectos, devido a um conflito sobre tarifas de energia.
O secretário-geral do Sintime avançou ainda que, no total de 20 empresas que prestavam serviços à Mozal, e que também encerraram ou reduziram a actividade, só oitos pagaram na totalidade os direitos aos seus trabalhadores, lamentando a situação dos restantes.
“Algumas empresas já compensaram, está tudo feito, porém, temos outras que infelizmente ainda não conseguiram compensar devido a várias linhas de dificuldades que atravessam e elas também foram apanhadas de surpresa por esta súbita interrupção das actividades deste empreendimento”, explicou Américo Macamo, considerando “complicada” a situação vivida por estas empresas.
A unidade entrou em regime de manutenção e conservação, como avançou então o director-executivo da South32, Graham Kerr, prevendo que, sem produção, a empresa vai gastar 52,4 milhões de euros, incluindo na “rescisão de contratos”, custando só a manutenção, anualmente, 4,4 milhões de euros.
Segundo o Sintime, a Mozal pagou a todos os colaboradores, conforme a garantia dada antes da entrada em manutenção, cabendo somente às empresas cumprirem “integralmente” com os preceitos legislativos moçambicanos, com o sindicato a explicar que compreende a situação actual das empresas devedoras, bem como a exigência dos trabalhadores.
“Temos conseguido pedir calma, para seguirmos juntos [com] aquilo que seriam os caminhos mais aconselháveis, que nem sempre a força resolve as coisas (…). É um passo que é proporcional àquilo que nos pode trazer a solução sobre um alçado mais próximo em termos de celeridade”, disse Américo Macamo, em alusão a trabalhadores que falavam “em contactar o tribunal” para resolver a situação.
O Sintime, que não avançou dados sobre montantes da dívida e empresas envolvidas, diz a Lusa, alguns lesados manifestaram também a intenção de destruírem as infraestruturas das empresas devedoras.





