O ministro angolano da Cultura, Filipe Zau, anunciou esta Segunda-feira, 18, que a família do pintor português Neves e Sousa, que viveu grande parte da sua vida em Angola, pretende doar um espólio de 3.000 desenhos, cumprindo a vontade do artista.
“Recebemos recentemente a intenção da família de Neves e Sousa, cumprindo com o que era seu desejo, doar um espólio composto por cerca de 3.000 desenhos como parte dos estudos feitos em viagens por todo o nosso país”, avançou Filipe Zau no final da 1.ª Jornada Nacional dos Museus em Angola, que descreveu Neves e Sousa como “uma das figuras maiores das artes plásticas angolanas”.
“São 37 pastas com cerca de 30 aguarelas cada e que serviram de base de estudo para alguns dos óleos que pintou, muitos quadros, muitas peças de arte africana, máscaras, etc”, detalhou.
Poeta e pintor, Albano Silvino Gama de Carvalho das Neves e Sousa nasceu em 1921, em Matosinhos. Foi muito cedo viver para Angola, donde saiu em 1975 para o Brasil, país onde viria a falecer em 1995 (São Salvador da Baía).
Cursou pintura na Escola Superior de Belas-Artes, no Porto, vindo a pintar temáticas africanas e temáticas locais angolanas. Visitou países como Cabo Verde, Guiné, Moçambique e São Tomé e Príncipe e recebeu vários prémios de pintura a nível internacional, participando igualmente em exposições na África do Sul, Angola, Bélgica, Brasil, Espanha, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Venezuela.
O artista executou várias decorações em edifícios públicos em Angola (incluindo o Hotel Universo), São Tomé e Cabo Verde. No aeroporto internacional de Luanda tem um trabalho em grafite com a área de 345 metros quadrados.
Executou também a decoração do Pavilhão de Angola na exposição de Bulawayo, Zimbabué, em 1953. Em 1975 foi aos Estados Unidos decorar os interiores dos aviões Boeing 737 dos Transportes Aéreos de Angola. Pintou também dois painéis para o Banco Auxiliar, no Brasil, em Salvador, em 1981, e em Aracaju, em 1983.
Segundo a Lusa, foi agraciado pelo Governo português com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em 1963, e com a Comenda da Ordem de Mérito, em 1993.





