O Banco Nacional de Angola (BNA) alertou para o aumento do nível de exposição do sector bancário ao Estado e recomendou às instituições financeiras a adopção de políticas mais prudentes de gestão de capital e liquidez, num contexto internacional marcado por elevados níveis de incerteza económica e financeira.
A recomendação consta do comunicado final da 55.ª reunião do Comité de Estabilidade Financeira (CEF), realizada na Segunda-feira, 1 de Junho, durante a qual foram analisados os principais factores de risco sistémico susceptíveis de afectar a estabilidade do sistema financeiro angolano no primeiro trimestre de 2026.
Segundo o banco central, as instituições financeiras sob sua supervisão deverão reforçar as medidas prudenciais destinadas a mitigar riscos financeiros e não financeiros, numa altura em que o aumento da exposição ao Estado merece acompanhamento atento por parte das autoridades reguladoras.
Apesar dos alertas, o Comité de Estabilidade Financeira considerou que o sector bancário continua a apresentar indicadores de robustez e capacidade de absorção de choques, tendo decidido manter inalterados os principais instrumentos macroprudenciais.
Deste modo, permanece em 2,5% a reserva de conservação de capital aplicável a todas as instituições financeiras bancárias. O CEF manteve igualmente a reserva contracíclica de capital em 0%, mecanismo utilizado para reforçar a capacidade de resposta do sector em períodos de risco sistémico, bem como a reserva aplicável aos bancos de importância sistémica doméstica.
Na avaliação do Banco Nacional de Angola, o sistema bancário demonstrou resiliência durante o primeiro trimestre do ano, apesar dos desafios inerentes à actividade financeira e das incertezas que continuam a marcar a economia internacional.
Os dados analisados pelo regulador apontam para a continuidade do crescimento da carteira de crédito à economia em termos homólogos, sinal considerado relevante num contexto em que o financiamento ao sector produtivo permanece uma das prioridades da política económica nacional.
O BNA destacou igualmente a melhoria da qualidade dos activos bancários, reflectida na redução do rácio de crédito malparado, bem como o reforço dos mecanismos de mitigação do risco de crédito implementados pelas instituições financeiras.
Contudo, o aumento da exposição ao Estado surge como um factor que merece atenção acrescida. Em termos gerais, uma maior concentração dos activos bancários em títulos e instrumentos associados ao sector público pode reforçar a interdependência entre as finanças públicas e o sistema financeiro, aumentando a vulnerabilidade dos bancos a eventuais choques fiscais ou alterações das condições macroeconómicas.
O alerta do banco central surge numa fase em que várias economias emergentes procuram equilibrar a necessidade de financiamento público com a preservação da capacidade dos bancos para apoiar o sector privado e impulsionar o crescimento económico.
A manutenção dos actuais níveis de capitalização e liquidez do sector, associada à melhoria dos indicadores de qualidade dos activos, sugere que o regulador continua a considerar o sistema financeiro angolano estável. Ainda assim, a recomendação de prudência evidencia a preocupação das autoridades com os riscos associados ao actual ambiente económico global e à crescente exposição da banca aos activos do Estado.




