Cabo Verde vai beneficiar de mil bolsas de formação profissional nas áreas da economia criativa, no âmbito de uma iniciativa da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) destinada a reforçar as competências de estudantes, artistas e profissionais ligados ao sector cultural.
O anúncio foi feito pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC), que atribui esta oportunidade à recente adesão do país à área da cultura e das indústrias criativas da OEI, formalizada em Novembro de 2025, bem como à participação cabo-verdiana no Fórum Rio2C, realizado no final de Maio, no Rio de Janeiro, Brasil.
As bolsas abrangem áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento da economia criativa, incluindo fotografia, produção audiovisual, gestão de projectos culturais, sonorização e animação cultural. O objectivo é aumentar a qualificação técnica dos profissionais e criar condições para uma maior profissionalização e competitividade do sector.
Segundo o Ministério, a iniciativa integra o Programa Ibero-Americano de Indústrias Culturais e Criativas (PIICC), uma plataforma que promove oportunidades de formação, cooperação e intercâmbio internacional entre os países da comunidade ibero-americana.
As acções formativas serão desenvolvidas através da Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa, no âmbito de um programa de internacionalização coordenado pela Secretaria de Economia Criativa e Fomento Cultural do Ministério da Cultura do Brasil. Os cursos serão ministrados em língua espanhola e dirigidos a estudantes, artistas e trabalhadores da cultura de diferentes especialidades.
Mais do que uma medida de capacitação, a iniciativa reflecte o crescente reconhecimento da economia criativa como um sector com potencial para gerar emprego qualificado, estimular o empreendedorismo e diversificar as fontes de crescimento económico em países de pequena dimensão como Cabo Verde.
O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga, considera que a integração do país na OEI abre novas perspectivas para o fortalecimento das competências dos agentes culturais e para a expansão das oportunidades de cooperação internacional.
Segundo o governante, Cabo Verde tem vindo a consolidar uma estratégia de valorização das indústrias criativas através do estabelecimento de novas parcerias e da implementação de instrumentos de apoio ao sector.
Entre essas medidas destaca-se o Estatuto do Profissional de Arte e Cultura, recentemente implementado, que visa conferir maior reconhecimento, protecção e enquadramento institucional aos profissionais das actividades culturais.
A atribuição das mil bolsas surge, assim, como mais um passo na estratégia de posicionamento da cultura e das indústrias criativas como vectores de desenvolvimento económico, exportação de talento e afirmação internacional de Cabo Verde, num momento em que vários países procuram transformar activos culturais em oportunidades concretas de crescimento e inovação.





