A Universidade de Cabo Verde apresentou o PREPARA-M.CV, um projecto de investigação aplicada financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian com 179.920 euros, que junta um consórcio internacional de oito instituições para reforçar o diagnóstico e conter o avanço da resistência aos antimicrobianos em idade pediátrica.
A resistência aos antimicrobianos (RAM), segundo uma nota da instituição, deixou de ser uma ameaça abstrata para se tornar uma realidade clínica diária nas enfermarias cabo-verdianas.
Foi com esse diagnóstico que a Uni-CV lançou, na Mediateca do Campus do Palmarejo Grande, o PREPARA-M.CV – sigla para o projecto que pretende reforçar a gestão das infecções respiratórias pediátricas e da resistência aos antimicrobianos através de diagnósticos e vigilância baseados em evidência no país.
Coordenado pela Uni-CV e com a duração de 36 meses, o projecto resulta de uma candidatura vencedora ao concurso “+ Investigação” da Fundação Calouste Gulbenkian, que o financia com um orçamento global de 179.920 euros.
Em torno da universidade reúne-se um consórcio internacional alargado: o Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto (HUAN), o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), a Ordem dos Médicos de Cabo Verde, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa (IHMT-NOVA), o Instituto Universitário de Enfermedades Tropicales y Salud Pública de Canarias da Universidade de La Laguna (IUETSPC-ULL), o Centro Nacional de Endemias de São Tomé e Príncipe e a Universidade de Leicester, no Reino Unido.

“A urgência do problema é global. A Organização Mundial da Saúde classifica a RAM como uma das dez maiores ameaças à saúde mundial, e estimativas publicadas na revista The Lancet apontam para 39 milhões de mortes directamente atribuíveis à resistência aos antibióticos entre 2025 e 2050, com particular impacto no continente africano”, lê-se na nota.
Em Cabo Verde, as infecções respiratórias agudas continuam entre as principais causas de procura de cuidados pediátricos, com uma taxa de incidência de 7.551 casos por cada 10.000 crianças com menos de cinco anos – a pneumonia, isoladamente, regista 218 casos por cada 10.000.
Para enfrentar este cenário, o PREPARA-M.CV trabalha em três frentes simultâneas: introduzir tecnologias de diagnóstico rápido e molecular no HUAN, sistematizar a vigilância laboratorial da resistência a partir de amostras pediátricas e formar profissionais de saúde em prescrição racional, segundo as boas práticas internacionais de antibiotic stewardship.
O objectivo último é produzir dados próprios sobre o perfil microbiológico das infeções respiratórias no arquipélago, contributo direto para a revisão do Plano Nacional de Combate à Resistência aos Antimicrobianos.
Incluiu duas apresentações científicas centrais – uma sobre o perfil da resistência aos antimicrobianos no país, pela epidemiologista Maria da Luz Mendonça, do INSP, e a apresentação detalhada do projecto, a cargo da investigadora principal Isabel Inês Araújo, e culminou na conferência magistral do Professor Pedro Póvoa, da NOVA Medical School, referência internacional em medicina intensiva e infeciologia.





