O futuro constrói-se com os jovens, para os jovens e, cada vez mais, pelos próprios jovens. Esta não é apenas uma ideia aspiracional, mas é uma realidade que hoje orienta políticas públicas, estratégias empresariais, decisões de investimento e modelos de desenvolvimento em todo o mundo.
Para a Mitrelli, esta visão tem funcionado como uma verdadeira bússola estratégica. Ao pensar projectos de educação, formação e empregabilidade, a abordagem vai além da criação de infra-estruturas: procura-se estruturar sistemas que capacitam, integram e criam oportunidades reais para as novas gerações.
Este compromisso não é recente. A Mitrelli acumula mais de uma década de experiência na concepção e implementação de projectos neste sector, com um portefólio que abrange todos os níveis de ensino, desde a formação técnico-profissional até, recentemente, ao ensino superior e à literacia científica. Esta trajectória consolidada assenta numa metodologia que combina a compreensão das realidades locais com uma forte capacidade de execução em escala, posicionando a empresa como um agente com histórico comprovado, com obras concluídas, e entregues na criação de condições para que a juventude se afirme como motor de mudança.
Durante demasiado tempo, a narrativa sobre o progresso em África colocou os jovens como beneficiários passivos de soluções desenhadas por terceiros. Falou-se de capacitação como algo que se concede, de emprego como uma vaga que se preenche e de educação como um modelo que se replica. Hoje, essa lógica está a ser substituída por uma abordagem que coloca os jovens no centro da decisão e da acção.
África é o continente mais jovem do mundo, com uma idade média de cerca de 19 anos e mais de 400 milhões de jovens entre os 15 e os 35 anos. Este dado demográfico é o principal activo do continente. Em Angola, este padrão é igualmente expressivo: mais de 60% da população tem menos de 24 anos, configurando um verdadeiro “bónus demográfico” com potencial para impulsionar um novo ciclo de crescimento.
Investir na juventude, mais do que uma escolha meramente social é um determinante económico e estrutural. A forma como os países educam, capacitam e integram as suas novas gerações define directamente a sua produtividade futura e a sua capacidade de inovação. O impacto do desemprego juvenil ultrapassa largamente a esfera individual, afectando comunidades, economias e a própria estabilidade nacional. A nível macroeconómico, traduz-se numa desaceleração do crescimento, na medida em que milhões de jovens ficam afastados da força de trabalho, da tributação e do consumo.
De acordo com a UNESCO a falta de competências básicas entre crianças e jovens poderá representar, até 2030, um custo anual de cerca de 10 biliões de dólares para a economia global. Por outro lado, a redução em apenas 10% da proporção de jovens sem competências básicas ou que abandonam precocemente a escola pode traduzir-se num aumento do crescimento anual do PIB entre 1 a 2 pontos percentuais. No contexto africano, cada dólar investido na expansão da educação pré-escolar pode gerar retornos até 33 vezes superiores.
Esta realidade tem vindo a gerar uma mudança clara de paradigma. Governos, instituições multilaterais e o sector privado convergem numa mesma prioridade, reconhecendo que investir na juventude é acelerar o crescimento no presente e desbloquear novos mercados, novas economias e novas trajectórias de desenvolvimento. Mais do que expandir o acesso à educação, o foco está agora em modelos integrados que ligam formação e qualificação técnica ao acesso efectivo ao mercado de trabalho.
A nível continental, a União Africana tem liderado esta agenda através da Agenda 2063, colocando a juventude no centro da transformação de África. Iniciativas como a “One Million Next Level” (1mNL) ambicionam alcançar centenas de milhões de jovens até 2030, promovendo o acesso à educação, saúde, ao emprego, empreendedorismo e à participação cívica.

Em Angola, de igual modo, o Banco Africano de Desenvolvimento e a União Europeia, através do “Projecto Crescer”, tem como meta gerar mais de 37 mil postos de trabalho para jovens entre os 15 e 35 anos em 11 províncias do país combinando formação, digitalização e apoio ao empreendedorismo. A este esforço junta-se o Banco Mundial, que aprovou um financiamento de 250 milhões de dólares para o Angola Youth Employment Opportunities Project (AYEOP), com o objectivo de aumentar a empregabilidade e a produtividade de cerca de 500 mil jovens angolanos.
Esta dinâmica encontra enquadramento no Plano de Desenvolvimento Nacional 2023–2027, que estabelece como prioridades o reforço do capital humano, a diversificação económica e a criação de emprego digno. Programas como o PAPE ou o JOBE reflectem essa visão, ao combinar formação com instrumentos concretos de inserção profissional e apoio ao empreendedorismo.
Os números evidenciam esta trajectória: mais de 180 mil formandos no sistema nacional de formação profissional, mais de 60 mil integrações no mercado de trabalho e milhares de empreendedores capacitados e apoiados através de centros de incubação e serviços de emprego.
Num mundo em rápida transformação, a capacitação assume um papel crucial. Não se trata apenas de transmitir conhecimento, mas de desenvolver competências práticas e comportamentais, como pensamento crítico, adaptabilidade e resolução de problemas, que permitam aos jovens participar activamente na economia e na sociedade. A promoção de uma cultura de aprendizagem contínua torna-se, assim, um factor determinante para garantir resiliência e competitividade a longo prazo, exigindo sistemas educativos mais flexíveis e inclusivos.
É neste contexto de convergência entre metas de desenvolvimento, investimento internacional e necessidade social, que a Mitrelli se distingue, afirmando-se como um parceiro de referência na implementação de soluções abrangentes.
As Cidadelas Jovens de Sucesso constituem um dos exemplos deste legado. Desenhadas como ecossistemas de valorização humana e consolidação de aptidões, combinam formação técnico-profissional e desenvolvimento pessoal, oferecendo aos jovens condições concretas para construir um futuro autónomo. Com uma rede de 8 Cidadelas distribuídas por várias províncias e mais de 11.000 jovens formados até à data, estas têm uma influência directa na redução de vulnerabilidades e no fortalecimento do tecido económico e social das comunidades onde se inserem.
De forma complementar, a Mitrelli tem contribuído para a integração de equipamentos educativos nas centralidades urbanas, assegurando que o acesso à educação acompanha o crescimento das cidades e das comunidades. Paralelamente, o Centro de Ciências de Luanda destaca-se como um projecto emblemático na promoção da literacia científica e tecnológica, aproximando a ciência das comunidades e despertando vocações nas áreas STEM.
No domínio das indústrias criativas, o Palácio das Artes Carlos Aniceto “Liceu Vieira Dias” integrará formação artística e produção cultural. A escola e as salas de ensaio ali previstas irão reforçar a profissionalização dos artistas, da componente técnica à gestão de carreiras, enquanto a Casa do Artista, ao acolher artistas seniores, irá assegurar a transmissão de experiência e conexão intergeracional que permite a continuidade e consolidação do talento nacional.

No ensino superior, a empresa participa em projectos como o Hospital Universitário da Universidade Agostinho Neto e na expansão e modernização de instituições como a Universidade Katyavala Bwila e o Instituto Superior de Ciências da Educação, contribuindo para a formação de quadros altamente qualificados e para o reforço da capacidade científica e do sector de saúde nacional. A construção do novo campus na Baía Farta, com capacidade para milhares de estudantes, reforça esta visão de longo prazo.
A actuação da Mitrelli estende-se igualmente à formação profissional e ao empreendedorismo. No âmbito do PAPE, a empresa contribuiu com a concepção e fornecimento de 40.000 kits profissionais, promovendo a geração de rendimento e a integração económica. No âmbito do CLESE contribuiu para a implementação de 10 centros, que beneficiam 20.000 jovens por ano.
Para além dos grandes projectos de infra-estrutura, a Mitrelli, através do seu braço de responsabilidade social, a Fundação Arte e Cultura, tem vindo a desenvolver um trabalho consistente de empoderamento comunitário. Desde 2006, a fundação tem transformado vidas, de crianças, jovens e mulheres, em Luanda, através da arte, cultura e educação.
Reconhecida pelas autoridades e instituições públicas e privadas e parceira de organizações como a UNICEF e a UNESCO, a fundação materializa o compromisso da Mitrelli com o desenvolvimento sustentável e a transformação social, tendo registado, até 2024, 7.000 crianças apoiadas, 230 jovens formados em cursos de tecnologias de informação, 380 adultos alfabetizados e 160 mulheres capacitadas em formação profissional na área da costura.
Outra dimensão fundamental da Mitrelli é a aposta no conteúdo local e na criação de primeiras oportunidades de emprego para jovens angolanos. Cada projecto, desde a electrificação rural à construção de estádios, integra a participação de profissionais locais, a transferência de conhecimento e a criação de postos de trabalho directos e indirectos.
O caminho é claro: se o emprego digno é o objectivo, o fortalecimento de competências é o meio para o alcançar. A Mitrelli tem orgulho em ser parte dessa história, não como observadora, mas como parceira activa que se alinha às necessidades do mercado e arquitecta de ecossistemas que conectam educação, oportunidades e desenvolvimento económico sustentável.
O futuro não é um cenário distante, mas uma construção já em curso liderada por uma geração de jovens cada vez mais preparada, participativa e consciente do seu papel na transformação do país. O desafio que agora se coloca a todos, governos, empresas, sociedade civil, é garantir que este potencial tenha acesso consistente às ferramentas e aos recursos certos para se concretizar.
No final, trata-se de definir a responsabilidade que cada actor escolhe assumir neste processo. No caso da Mitrelli, essa missão é clara: contribuir de forma consistente para soluções que reforçam a capacitação, promovem a empregabilidade e sustentam um crescimento autónomo, próspero e duradouro das populações, em Angola e no continente africano.





