O escritor Sousa Jamba lançou, recentemente, em Benguela, a obra de ficção “A Casa das Duas Bíblias e Outros Contos”, publicada pela Mayamba Editora. O livro reúne uma colectânea de narrativas que exploram a memória, o humor, as contradições e a singularidade da cultura angolana.
A apresentação da obra esteve a cargo de Ivair Coimbra, figura de referência no panorama artístico e cultural angolano, cuja intervenção conferiu um significado especial ao momento de celebração literária.
Natural do Huambo, onde nasceu em 1966, Sousa Jamba construiu grande parte da sua carreira literária em língua inglesa, com obras publicadas no Reino Unido e nos Estados Unidos, países onde viveu durante vários anos.
O seu regresso a Angola, marcado por uma renovada aproximação às comunidades, paisagens afectivas e às tradições do país, inspirou um conjunto de histórias que retratam, com sensibilidade e vigor narrativo, a riqueza da experiência angolana.
Em “A Casa das Duas Bíblias e Outros Contos”, o autor dirige o olhar para o quotidiano das famílias, a fé, os silêncios, as pequenas vaidades e as grandes inquietações de uma sociedade em permanente diálogo consigo própria.
As narrativas são povoadas por personagens familiares ao leitor, gente dos bairros, igrejas, estradas, aldeias e cidades, que transportam consigo memórias, sonhos e vivências profundamente angolanas.
“Este livro é uma celebração da herança angolana. Nasceu de um pedido da minha mãe, que me incentivou a escrever histórias que celebrassem as nossas comunidades e o nosso passado, e amadureceu durante o período em que vivi numa aldeia em Angola, onde tive a oportunidade de mergulhar mais profundamente na sociedade em que nasci”, afirmou Sousa Jamba.
Segundo o escritor, a obra procura demonstrar que as histórias angolanas, mesmo quando nascem em lugares aparentemente modestos, encerram a complexidade e a dimensão de um país inteiro.
O lançamento reuniu leitores, escritores, jornalistas, agentes culturais, músicos e apreciadores da literatura no Rasgado Jazz Club, espaço que se tem afirmado como um importante palco de promoção da vida artística e cultural da província de Benguela.
O escritor considerou ainda que a diversidade das experiências humanas, retratadas na obra, evidencia que as pequenas histórias têm um valor universal.





