A escritora moçambicana Paulina Chiziane foi distinguida pela African Literature Association (ALA), nos Estados Unidos da América, em reconhecimento da excelência da sua produção literária e pelo desenvolvimento da literatura africana.
Durante a cerimónia de homenagem, o académico Luís Madureira destacou que a escrita de Paulina Chiziane se caracteriza por uma abordagem crítica das relações de poder e de género, analisando a forma como esses factores influenciam a produção, a regulação e a manifestação da diferença e da resistência nas sociedades pós-coloniais.
Segundo o académico, a autora construiu um percurso literário próprio, recusando submeter-se tanto às limitações da chamada literatura engajada, ligada à construção da consciência nacionalista moçambicana, como às classificações frequentemente utilizadas no Ocidente para enquadrar a ficção africana destinada ao mercado internacional.
A distinção foi recebida, em representação da escritora, pelo jornalista moçambicano Amâncio Miguel, residente em Alexandria, no estado norte-americano da Virgínia, durante a cerimónia oficial de entrega da homenagem.
Considerada uma das mais influentes vozes da literatura africana de língua portuguesa, Paulina Chiziane volta, assim, a ver o seu percurso reconhecido além-fronteiras.
Recorde-se que, em 2024, pela luta dos direitos da mulher africana, a escritora e activista social moçambicana, Paulina Chiziane, foi distinguida individualidade Responsabilidade Social dos Prémios Forbes Responsabilidade Social 2024.
O anúncio foi feito pela directora da FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, Nilza Rodrigues, destacando que Paulina Chiziane é uma das vozes principais da lusofonia.
Após receber o prémio, durante a gala realizada hotel Intercontinental, em Luanda, a escritora moçambicana questionou o lugar da “empresária africana”, defendendo que economia de África está nas mãos das zungueiras, pois foram elas que construíram o continente berço e continuam a defendê-lo inteiramente.
“África precisa de gente consciente que conhece a sua história, as suas origens e que respeita o seu lugar. Precisamos de reverter o quadro e olharmos para os nossos países com os olhos da liberdade”, frisou.





