As mulheres representam actualmente 28,5% da força de trabalho da aviação civil angolana e ocupam 35,7% dos cargos de liderança, indicadores que colocam Angola em linha e, nalguns casos, acima das tendências internacionais em matéria de igualdade de género no sector.
Os dados foram apresentados esta Terça-feira, 21, em Luanda, pela presidente do conselho de administração da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), Amélia Kuvíngua, na abertura da ICAO Global Aviation Gender Summit, subordinada ao lema “Avançar na Aviação através do Empoderamento das Mulheres”.
Apesar da evolução, a responsável alertou que persistem desafios relevantes em áreas técnicas estratégicas, como a pilotagem, a engenharia aeronáutica, a manutenção de aeronaves e a navegação aérea, onde a presença feminina continua reduzida, evidenciando que o caminho para uma representação equilibrada ainda está longe de concluído.
“Este diagnóstico não constitui um ponto de chegada. É uma base de trabalho que nos permitirá definir políticas orientadas por evidência, estabelecer metas realistas e acompanhar, de forma sistemática, os progressos alcançados”, afirmou.
Amélia Kuvíngua defendeu, contudo, que esta realidade deve ser encarada como uma oportunidade para alargar a base de talento da indústria aeronáutica, sublinhando que o sector não pode desperdiçar competências por razões de género.
“O talento não conhece género. Conhece competência, mérito, dedicação e capacidade de realização.”
Na qualidade de entidade reguladora, acrescentou, a promoção da igualdade de oportunidades ultrapassa a dimensão da responsabilidade social, constituindo igualmente um factor de competitividade, inovação, melhoria da qualidade das decisões e reforço da segurança operacional.
“Acreditamos que uma aviação mais diversa será necessariamente uma aviação mais forte, mais resiliente e mais preparada para responder aos desafios do futuro”, sustentou.
A dirigente enquadrou ainda estas políticas no contexto das profundas transformações que atravessam a aviação mundial, marcadas pela digitalização, inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental, cibersegurança e crescente necessidade de qualificação dos recursos humanos.
Segundo explicou, responder a estes desafios exige reguladores sólidos, instituições credíveis e profissionais altamente qualificados, razão pela qual a ANAC iniciou um processo de modernização institucional.
“Reforçámos os mecanismos de supervisão, modernizámos processos, investimos na qualificação dos nossos técnicos e consolidámos um modelo regulatório orientado para o rigor, a eficácia e a melhoria contínua”, disse.

País acima da média internacional
Este processo permitiu que Angola alcançasse 83,14% de Implementação Efectiva na mais recente auditoria do Programa Universal de Auditoria de Segurança – Abordagem de Controlo Contínuo (USAP-CMA) da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), posicionando o país entre os melhores desempenhos da região África-Oceano Índico (AFI).
Para Amélia Kuvíngua, este resultado reforça a credibilidade institucional da ANAC e demonstra o compromisso do país com a segurança da aviação civil e com os padrões internacionais de supervisão.
Ainda assim, advertiu que a robustez do sector não deve ser medida apenas pelos indicadores de conformidade regulatória, mas também pela capacidade de atrair, desenvolver e reter talento, independentemente do género.
No encerramento da sua intervenção, a presidente da ANAC apelou para que a ICAO Global Aviation Gender Summit produza resultados concretos.
“Esta cimeira deve representar mais do que um espaço de reflexão e de partilha de experiências. Deve permitir-nos transformar ideias em compromissos, compromissos em acções e acções em resultados concretos”, concluiu.





