A Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) lançou, na última Quarta-feira, em Lisboa, o Fundo de Desenvolvimento e Cooperação Económica da CE-CPLP, um veículo multilateral de capital de risco dotado de 200 milhões de euros, que pretende mobilizar até 500 milhões de euros em activos sob gestão para financiar projectos estratégicos nos nove Estados-membros da comunidade lusófona.
O novo instrumento financeiro nasce com a ambição de colmatar a escassez de financiamento para investimentos estruturantes no espaço da CPLP e de acelerar a integração económica entre os seus membros, num contexto em que o comércio intra-comunitário representa actualmente menos de 5% do total das trocas comerciais dos Estados que integram a organização.
Apresentado numa das unidades hoteleiras da capital portuguesa, perante investidores, representantes da banca africana, embaixadores dos Estados-membros da CPLP acreditados em Portugal e responsáveis governamentais portugueses, o fundo pretende afirmar-se como uma plataforma de investimento capaz de aproximar investidores institucionais, bancos de desenvolvimento, Estados e sector privado em torno de projectos de média e grande dimensão com elevado impacto económico.
A sessão foi aberta pela presidente da CE-CPLP, Nelma Fernandes Santos, que defendeu a necessidade de dotar o espaço económico da lusofonia de instrumentos financeiros capazes de transformar a cooperação empresarial em investimento estruturado e desenvolvimento sustentável.
A apresentação técnica do fundo foi conduzida pelo presidente do Conselho de Administração indigitado do Fundo de Desenvolvimento e Cooperação Económica da CE-CPLP, Luís Rodrigues, e pelo presidente da Comissão Executiva, António Ramalho. A cerimónia contou ainda com a presença do secretário de Estado da Economia de Portugal, Rui Ferreira, do secretário de Estado da Agricultura, João Manuel Moura Rodrigues, bem como de representantes diplomáticos dos países da CPLP.

Segundo a estratégia apresentada, o fundo canalizará recursos para sectores considerados prioritários, entre os quais agricultura e agro-indústria, infra-estruturas económicas, energia e energias renováveis, economia azul, turismo, indústria transformadora, saúde e transformação digital.
O modelo assenta na criação de um “corredor de confiança lusófono”, aproveitando a língua portuguesa, uma matriz jurídica comum e o Acordo de Mobilidade da CPLP para reduzir barreiras ao investimento, facilitar a circulação de quadros qualificados e reforçar a integração económica entre os países-membros.
A estratégia prevê investimentos entre 5 e 10 milhões de euros por projecto, ao longo de um horizonte de dez anos, permitindo constituir um portefólio de 50 a 65 operações, com uma taxa interna líquida de rentabilidade estimada entre 10% e 12% ao ano.
Como exemplo das oportunidades existentes na comunidade lusófona, a apresentação destacou o sector do caju na Guiné-Bissau. Embora o produto represente cerca de 90% das exportações do país, menos de 10% da produção é actualmente transformada localmente, ilustrando o potencial de industrialização e de criação de valor que o fundo pretende ajudar a financiar.
No encerramento da sessão, o decano do corpo diplomático da CPLP e embaixador da Guiné Equatorial em Portugal, Tyto Nbaada, considerou que o novo instrumento poderá reforçar a cooperação económica entre os países lusófonos, promover maior integração dos respectivos mercados e mobilizar investimento estruturante para a comunidade.





