A dívida pública da Guiné-Bissau atingiu 78,75% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026, ultrapassando em 8,75 pontos percentuais o limite de referência de 70% estabelecido no quadro de convergência da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA).
O rácio resulta de um stock de dívida pública de 1,76 milhões de euros no final de Março, contra 1,70 milhões de euros registados no final do quarto trimestre de 2025, o que representa um crescimento nominal de 3,57%, segundo dados oficiais constantes do Relatório Trimestral da Dívida Pública referente ao primeiro trimestre de 2026.
Embora o aumento tenha sido moderado, a evolução das duas componentes da dívida – externa e interna – merece particular atenção, sobretudo num contexto em que o nível de endividamento já se encontra acima do limite regional de referência.
O próprio relatório alerta para a necessidade de uma monitorização apertada da trajectória da dívida e de uma gestão prudente do espaço fiscal.
Na componente externa, o stock da dívida aumentou 1,01%, passando de 676 milhões de euros no final de 2025 para 682 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026. Segundo o Ministério das Finanças, a variação decorreu essencialmente de desembolsos efectuados por credores multilaterais, entre os quais o Banco Oeste Africano de Desenvolvimento (BOAD), o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD) e o Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID).
A estrutura da dívida externa permanece predominantemente concentrada em credores multilaterais, responsáveis por 576 milhões de euros do stock total. Os credores bilaterais representam 106 milhões de euros, enquanto não foram registados empréstimos junto de credores comerciais durante o período em análise.
A dívida interna, por sua vez, manteve a trajectória ascendente, passando de 1,04 milhões de euros no final do quarto trimestre de 2025 para 1,08 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026. O aumento está associado, sobretudo, às emissões de títulos do Tesouro no mercado regional e à contratação de novos empréstimos junto de bancos comerciais.
A combinação entre o crescimento do endividamento e um rácio dívida/PIB acima do parâmetro de convergência da UEMOA coloca a gestão das finanças públicas entre os principais desafios da Guiné-Bissau.
Embora o crescimento trimestral do stock seja relativamente contido, a trajectória acumulada reduz a margem disponível para financiar novas despesas e responder a eventuais choques económicos sem aumentar a pressão sobre as contas públicas.
A evolução da dívida externa revela, por outro lado, uma forte dependência de financiamento multilateral, enquanto o crescimento da dívida interna evidencia uma utilização crescente dos mercados regionais e do sistema bancário para cobrir as necessidades de financiamento do Estado.




